“Birdman” vence o Oscar de melhor filme em cerimônia chata mas marcadas por ótimos discursos

Neil Patrick Harris no cartaz do Oscar 2015.

Neil Patrick Harris no cartaz do Oscar 2015.

A cerimônia do Oscar 2015, ocorrida ontem, foi longa e sem graça. O apresentador, Neil Patrick Harris, pareceu tão perdido quanto o momento em que apareceu de cueca no palco (imitando Michael Keaton em uma cena antológica de Birdman). As poucas piadas – sobre o fato de não haver indicados negros e sobre Oprah Winfrey sempre participar da cerimônia por ser “rica” – foram mal desenvolvidas e causaram desconforto entre os participantes. As 4 horas pareciam que não iam acabar nunca.

O apresentador de cueca no palco.

O apresentador de cueca no palco.

Porém, a salvação veio por meio do discurso de agradecimento de alguns dos vencedores, que foram ovacionados, emocionaram e estão sendo compartilhados pelas redes sociais mundo afora. Os mais marcantes foram os de Patricia Arquette, de John Legend, de Graham Moore e de Alejandro González Iñárritu.

  • Patricia Arquette: como esperado, a atriz ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante pelo filme Boyhood: Da Infância à Juventude. O que ninguém esperava é que ela fosse subir ao palco e fazer um discurso pedindo igualdade salarial para as mulheres nos EUA, ganhando total apoio de Meryl Streep e de Jennifer Lopez, que quase pularam de seus bancos tamanha a felicidade.

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  • John Legend: ele e o rapper Common fizeram uma apresentação emocionante da música Glory, do filme Selma, arrancando lágrimas da plateia e, depois de ganharem o Oscar de melhor canção, Legend ainda falou sobre a desigualdade racial nos EUA, dizendo que “há mais negros encarcerados hoje do que escravos em 1850″.
John Legend e Common apresenta a música "Glory"

John Legend e Common apresenta a música “Glory”

  • Graham Moore: o roteirista ganhou o prêmio de melhor roteiro adaptado pelo filme O Jogo da Imitação e falou sobre o fato de ter tentando suicídio aos 16 anos por se sentir diferente. E terminou dizendo: “Continue estranho. Continue diferente.”

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  • Alejandro González Iñárritu: o diretor mexicano levou 3 Oscars (produção, direção e roteiro) e dedicou o prêmio aos conterrâneos e aos imigrantes que estão nos EUA e merecem melhor respeito por terem “ajudado a construir o país”.
Lady Gaga e Julie Andrews

Lady Gaga e Julie Andrews

Outro bom momento foi protagonizado por Lady Gaga cantando músicas do filme A Noviça Rebelde (The Sound of Music), que completa 50 anos em 2015, e participação surpresa de Julie Andrews, a atriz do filme.

Cheryl Boone Isaacs, presidenta da Academia.

Cheryl Boone Isaacs, presidenta da Academia.

Quem também fez discurso, e sobre a liberdade de expressão, foi a presidenta da Academia, Cheryl Boone Isaacs. No entanto, o discurso feito por uma mulher negra soou meio…estranho numa cerimônia em que não havia um negro ou uma mulher indicados nas principais categorias.

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O que também chamou a atenção foi o reconhecimento para os filmes Whiplash, vencedor de 3 Oscars, e O Grande Hotel Budapeste, vencedor de 4. Os dois filmes foram chegando de mansinho e levaram boa parte das estatuetas numa cerimônia em que os prêmios foram bem divididos.

A disputa pelo Oscar de melhor filme estava entre Birdman e Boyhood. Como Alejandro G. Iñárritu já havia ganhando os prêmios de melhor direção e roteiro, era de se esperar que Boyhood levasse o de melhor filme, pois 3 estatuetas para um mexicano é demais para os padrões hollywoodianos. Mas não é que o milagre aconteceu? Iñárritu levou também o Oscar de melhor filme, entregue por Sean Penn, que não perdeu tempo em fazer uma piada sobre o fato: “Quem entregou um green card para esse filho da puta?”. A piada em questão está dividindo opiniões, uns acham que foi só uma brincadeira, outros dizem que foi um comentário preconceituoso.

Na categoria melhor ator, levou Eddie Redmayne, por A Teoria de Tudo, no qual interpreta o físico Stephen Hawking. Muitos esperavam que Michael Keaton fosse ganhar, por Birdman, mas interpretações desafiadoras, que retratam algum tipo de doença, sempre chamam a atenção da Academia. Não à toa, Julianne Moore finalmente levou a estatueta para casa por interpretar uma professora que sofre do Mal de Alzheimer, em Para Sempre Alice.

O documentário O Sal da Terra, dirigido pelo brasileiro Juliano Salgado, não levou a estatueta (tá difícil, muito difícil, o Brasil levar um Oscar). No lugar, venceu Citizen Four, sobre Edward Snowden.

E a homenagem aos falecidos? Foi curta e não incluíram Roberto Gómez Bolaños, o Chaves, nem José Wilker. Apesar de serem mais famosos como atores de televisão, ambos também fizeram cinema e eram conhecidos nos EUA. Mas, pelo jeito, não conhecidos o suficiente.

Enfim, só esperemos que já estejam pensando em formas de animar o Oscar 2016.

Os maiores vencedores:

  • Birdman: 4 Oscars
  • O Grande Hotel Budapeste: 4 Oscars
  • Whiplash: 3 Oscars

Lista completa de vencedores: em amarelo.

MELHOR FILME

A equipe de "Birdman".

A equipe de “Birdman”

Sniper Americano (American Sniper, 2014)
Birdman (2014)
Boyhood: Da infância à Juventude (Boyhood, 2014)
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014)
Selma (2014)
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014)
Whiplash (2014)

MELHOR DIRETOR

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Alejandro Gonzáles Iñárritu por Birdman (2014)
Richard Linklater por Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)
Bennett Miller por Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, 2014)
Wes Anderson por O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014)
Morten Tyldum por O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014)

MELHOR ATOR

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Steve Carell por Foxcatcher (2014)
Bradley Cooper por Sniper Americano (American Sniper, 2014)
Benedict Cumbertatch por O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014)
Michael Keaton por Birdman (2014)
Eddie Redmayne por A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014)

MELHOR ATRIZ

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Marion Cotillard por Dois Dias, Uma Noite (Deux jours, une nuit, 2014)
Felicity Jones por A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014)
Julianne Moore por Para Sempre Alice (Still Alice, 2014)
Rosamund Pike por Garota Exemplar (Gone Girl, 2014)
Reese Whiterspoon por Livre (Wild, 2014)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

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Robert Duvall por O Juiz (The Judge, 2014)
Ethan Hawke por Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)
Edward Norton por Birdman (2014)
Mark Ruffalo por Foxcatcher (2014)
J.K. Simmons por Whiplash (2014)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

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Patricia Arquette por Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)
Laura Dern por Livre (Wild, 2014)
Keira Knightley por O Jogo da Imitação (The Theory of Everything, 2014)
Emma Stone por Birdman (2014)
Meryl Streep por Caminhos da Floresta (Into the Woods, 2014)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Ida (2013, Polônia)
Leviatã (Leviafan, 2014, Rússia)
Tangerines (Mandariinid, 2013, Estônia)
Timbuktu (2014, Mauritânia)
Relatos Selvagens (2014, Argentina)

MELHOR ANIMAÇÃO

A equipe de "Operação Big Hero"

A equipe de “Operação Big Hero”

Operação Big Hero (Big Hero 6, 2014)
Como Treinar o Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2, 2014)
Os Boxtrolls (The Boxtrolls, 2014)
Song of the Sea (2014)
The Tale of the Princess Kaguya (Kaguyahime no monogatari, 2014)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Birdman (2014)
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)
Foxcatcher (2014)
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Hotel Budapest, 2014)
O Abutre (The Nightcrawler, 2014)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Sniper Americano (American Sniper, 2014)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014)
Vício Inerente (Inherent Vice, 2014)
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014)
Whiplash (2014)

MELHOR FOTOGRAFIA
Birdman (2014)
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Hotel Budapest, 2014)
Ida (2014)
Sr. Turner (Mr. Turner, 2014)
Invencível (Unbroken, 2014)

MELHOR EDIÇÃO
Sniper Americano (American Sniper, 2014)
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Hotel Budapest, 2014)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014)
Whiplash (2014)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Hotel Budapest, 2014)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014)
Interestelar (Interstellar, 2014)
Caminhos da Floresta (Into the Woods, 2014)
Sr. Turner (Mr. Turner, 2014)

MELHOR FIGURINO
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014)
Vício Inerente (Inherent Vice, 2014)
Caminhos da Floresta (Into the Woods, 2014)
Malévola (Maleficent, 2014)
Sr. Turner (Mr. Turner, 2014)

MELHOR MAQUIAGEM
Foxcatcher (2014)
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014)
Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014)

MELHOR TRILHA SONORA
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014)
Interestelar (Interstellar, 2014)
Sr. Turner (Mr. Turner, 2014)
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014)

MELHOR CANÇÃO
Uma Aventura Lego (The Lego Movie, 2014)
Selma (2014)
Além das Luzes (Beyond the Lights, 2014)
Glen Campbell…I’ll Be Me (2014)
Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, 2014)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014)
Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes, 2014)
Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014)
Interestelar (Interstellar, 2014)
X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past, 2014)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Sniper Americano (American Sniper, 2014)
Birdman (2014)
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies, 2014)
Interestelar (Interstellar, 2014)
Invencível (Unbroken, 2014)

MELHOR MIXAGEM DE SOM
Sniper Americano (American Sniper, 2014)
Birdman (2014)
Interestelar (Interstellar, 2014)
Invencível (Unbroken, 2014)
Whiplash (2014)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
O Sal da Terra (The Salt of the Earth, 2014)
Citizenfour (2014)
Finding Vivian Maier (2013)
Last Days in Vietnam (2014)
Virunga (2014)

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
Crisis Hotline: Veterans Press 1 (2013)
Joanna (2013)
Our Curse (Nasza klatwa, 2013)
The Reaper (La Parka) (2013)
White Earth (2014)

MELHOR CURTA-METRAGEM
Aya (2012)
Boogaloo and Graham (2014)
Butter Lamp (La lampe au beurre de Yak) (2013)
Parvaneh (2012)
The Phone Call (2013)

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA-METRAGEM
The Bigger Picture (2014)
The Dam Keeper (2014)
Feast (2014)
Me and My Moulton (2014)
A Single Life (2014)

Fontes: google imagens

Terror nacional em “Segredo entre 4 paredes” (2015)

A produção cinematográfica brasileira tem crescido bastante nos últimos anos, bem como a produção brasileira especificamente periférica. Vários e vários novos cineastas surgem nas favelas e nas ditas “quebradas” com filmes, documentários e curtas que retratam, principalmente, a realidade da periferia por quem vive nela, com seus problemas mas, também, com todas as suas qualidades.

Contudo, às vezes surge alguém que destoa do resto. É o caso de Eduardo Moreira (hoje “DeMoreira”). Cineasta paulistano amante do gênero terror, ele decidiu adaptar um conto de Vitor Albrecht, seu colega de escola de cinema. É a história de um casal de irmãos atormentado pelo fantasma de uma mulher morta, esposa do irmão e melhor amiga da irmã. Mas o que é imaginação e o que é realidade?

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O curta quase não tem falas ou diálogos e toda a ação transcorre no decorrer de 15 minutos (tempo de duração do filme), com alguns flashbacks, muitos closes e vários efeitos visuais à la Exorcista que fazem a presença da falecida ser cada vez mais constante, até o revelador desfecho.

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Os 3 atores chamam a atenção ao ter que passar todo o suspense e toda a paranoia somente por meio de expressões faciais e com o auxílio de uma trilha sonora macabra. Quem também chama a atenção é o diretor Eduardo Moreira que, com poucos recursos, fez uma história simples e eficaz (em seu primeiro curta, gravado em 2011 mas só lançado agora), utilizando-se de toda a criatividade que conseguiu e seguindo, assim, os passos de Zé do Caixão, que ficou famoso com seus filmes macabros fazendo uso apenas da inventividade. Estamos diante do substituto do grande mestre do horror?

Link para a página da produtora, onde o curta, que estreia hoje, poderá ser conferido: www.facebook.com/hipnofilmes

Trailer do curta:

Quem é o homem e quem é o computador em “O Jogo da Imitação” (2014)?

“Às vezes são as pessoas que ninguém imagina que fazem as coisas que ninguém poderia imaginar”

Imagine só: você é um gênio da matemática, cria o primeiro computador, invade o sistema de comunicações da Alemanha nazista, ajuda os Aliados a ganharem a Segunda Guerra Mundial graças a esse computador e aí, o que acontece? É considerado um pervertido, um doente, e condenado simplesmente por ser…homossexual. Essa é a história de Alan Turing, matemático inglês maravilhosamente interpretado por Benedict Cumberbatch no filme O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014).

Cartaz nacional

Cartaz nacional

O título se refere ao real “jogo da imitação” (também chamado de “teste de Turing”), inventado por Turing e que consiste em descobrir se um computador pode imitar o comportamento de um ser humano. Houve várias versões do teste e atual funciona da seguinte forma: um jogador C (o “interrogador”) faz uma série de perguntas aos jogadores A e B com o intuito de descobrir qual deles é humano e qual é o computador. O jogador A, que é o computador, tem, ainda, que confundir o jogador C, levando-o a tirar conclusões erradas. Até hoje nenhum computador conseguiu passar no teste mas ele foi usado como base para a construção do filme: o tempo todo nós somos levados a nos perguntar se Turing era um homem ou uma máquina.

O verdadeiro Alan Turing

O verdadeiro Alan Turing

Alan (Cumberbatch) é retratado como um ser de inteligência excepcional. Com apenas 27 anos começa a criar o protótipo de um computador que decodificava todas as mensagens da Alemanha nazista e permitia ao governo inglês pensar em estratégias que contribuíram para o fim da guerra. Porém, o que ele tem de inteligência falta de manejo social: é arrogante, antissocial, não tem senso de humor e tem dificuldade em perceber o que não é literal. Ou seja, lembra uma máquina. E seu maior companheiro é justamente uma máquina, o computador que ele cria e apelida de “Christopher”.

Turing (Cumberbatch) e "Christopher.

Turing (Cumberbatch) e “Christopher.

O filme vai e volta no tempo e nessas idas e vindas é revelado o porquê do nome “Christopher”: ele era o único amigo de Turing, que constantemente sofria bullying na escola. Não demorou muito e, além de mostrar ao jovem matemático um livro de criptografia que influenciou sua carreira, ele acabou se apaixonando pelo amigo. Mas, quando ia se declarar, recebeu a notícia de que o amigo havia morrido. Foi um momento muito doloroso para Turing, que negou qualquer tipo de relação com Christopher, até porque não ficou claro se o amigo realmente morreu ou se ele foi afastado pelos pais para evitar que houvesse algo a mais entre os dois. O tempo passa e a máquina Christopher continua sendo o único amigo de Turing, até o fim da vida.

Durante o período em que a equipe de quebradores de código se reúne em Bletchley, supostamente uma fábrica de rádio, o matemático se isola de seus companheiros causando um mal-estar entre todos. A situação só melhora com a chegada de Joan Clarke (Keira Knightley), a única mulher do grupo. Sua inteligência é motivo de admiração para Turing, e ela parece ser a única pessoa que consegue lidar com o jeito dele. Ambos acabam desenvolvendo um grande carinho um pelo outro, tanto que, quando Joan ameaça deixar o trabalho por pressão dos pais que não aceitam que ela ainda esteja solteira com 25 anos, ele a pede em casamento. Com ela, Turing acaba conseguindo a simpatia dos outros colegas de trabalho.

Joan Clarke (Knightley) e Alan Turing (Cumberbatch) durante o noivado: ele até sorri.

Joan Clarke (Knightley) e Alan Turing (Cumberbatch) durante o noivado: ele até sorri.

Tudo parecia ir relativamente bem na vida de Turing: seu computador foi criado e funcionou perfeitamente, ele ajudou a combater os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial sem nem ao menos pegar em armas e ainda conseguiu superar, pelo menos temporariamente, sua postura antissocial e fez amigos. Mas sempre tem um “porém”, e esse “porém” veio em 1951 quando, ao ser investigado por ligações com o governo soviético, a polícia britânica acabou descobrindo que ele era homossexual por meio de uma invasão ocorrida em sua casa. Na época, a prática homossexual era considerada crime e a pena era ou a castração química ou a prisão. Turing escolheu ser castrado para poder continuar com seu trabalho e com o “Christopher”. No fim, debilitado pelo tratamento que o impedia até mesmo de raciocinar direito, ele se matou e só teve sua contribuição reconhecida mais de 50 anos depois, quando foi perdoado pela Rainha Elizabeth II.

Turing recebe ajuda de Joan, enquanto sofre os efeitos da castração química.

Turing recebe ajuda de Joan, enquanto sofre os efeitos da castração química.

Mas…tudo isso que foi narrado acima é a história contada no filme, que não corresponde exatamente à história real. É bom lembrar que filmes sempre se utilizam de recursos dramáticos – que incluem distorção dos fatos – para conseguir o efeito desejado do público. No caso de O Jogo da Imitação, o efeito desejado era o de lançar a dúvida sobre quem realmente era Alan Turing, bem como de fazer-nos simpatizar com ele. Claro que isso também é (muito) mérito do ator, Benedict Cumberbatch, que ganharia o Oscar não fosse esse ano tão acirrado. No entanto, há controvérsias: mudar a história para conquistar o público é aceitável mas tudo tem limite e O Jogo da Imitação ultrapassou todos.

Confira abaixo a versão fictícia x a versão real e tire suas próprias conclusões:

Ficção Realidade
A equipe é composta de 5 pessoas que levaram anos até progredirem o computador e conseguirem um resultado, que só foi alcançado por acaso durante uma conversa informal com uma das secretárias. A equipe era composta de milhares de pessoas que trabalhavam em áreas diversas. Progressos foram feitos desde o início da guerra, em 1939, e não contaram com acaso nenhum.
Alan Turing decide não revelar ao seu chefe que havia quebrado o código por achar que ele iria usar das informações para atacar a Alemanha fazendo, assim, com que o país nazista soubesse que os ingleses haviam decifrado tudo e mudasse a programação da máquina novamente. Alan Turing contou para seu chefe que havia decifrado o código fazendo com que os nazistas mudassem o código continuamente. E a equipe foi forçada a descobrir e a quebrar o código várias e várias vezes até o fim da guerra.
O computador criado por Turing se chama Christopher em homenagem a seu amigo de adolescência. O computador se chamava Vitória, por causa de uma máquina semelhante à que Turing criou e que serviu para temporariamente invadir os sistemas comunicativos nazistas antes da Segunda Guerra Mundial começar.
Hilton perde o irmão, que estava em um dos navios bombardeados pelos nazistas, quando Turing se recusa a avisar às autoridades que eles haviam quebrado o código. Hilton nem irmão tinha e todas as decisões sobre quem morria e quem vivia eram tomadas pelas mais altas autoridades do governo britânico, e não pela equipe em Bletchley.
Turing escreve uma carta a Winston Churchill pedindo financiamento para a construção do computador e maior liberdade dentro de Bletchley. Ele de fato fez isso, mas não fez sozinho: outros membros da equipe, como Hugh Alexander, também pediram financiamento e mais liberdade. Em ambos os casos (filme e vida real) Churchill atendeu ao pedido.
Turing é retratado quase como um autista: difícil, solitário, incapaz de se relacionar socialmente e de entender piadas ou ironias e sem senso de humor. Turing até tinha suas excentricidades mas sua verdadeira personalidade era exatamente o oposto da retratada no filme.
Em 1951, Turing é interrogado por suspeita de ser um espião soviético. Na delegacia, ele conta toda a história da quebra do código nazista e, então, descobrem que ele é gay. Turing foi interrogado em 1952 e nunca foi suspeito de ser um espião soviético. Desde o início a investigação foi por causa do roubo que aconteceu em sua casa e que o ligou aos homossexuais, fazendo com que ele fosse condenado.
A castração química impediu Turing de pensar claramente e de continuar com seu trabalho. A castração química o deixou fraco mas não afetou sua inteligência. Ele chegou, inclusive, a desenvolver estudos na área da biologia matemática após observar as mudanças em seu corpo, que incluíram crescimento de seios.
Joan Clarke visita Turing durante sua condicional e o vê em estado deplorável. Joan nunca visitou Turing durante sua condicional mas eles mantiveram contato.
Turing comete suicídio após um ano de tratamento hormonal.

Turing cometeu suicídio mais de um ano após o término do tratamento hormonal ao comer uma maçã envenenada com cianeto. Contudo, não há certeza absoluta sobre o suicídio do matemático. Alguns dizem que foi realmente um suicídio pela relação da maçã envenenada com o conto preferido de Turing, que era Branca de Neve e os Sete Anões; outros dizem que foi um acidente durante uma de suas experiências.

Vale a pena ver o filme?

O que vale a pena mesmo é a performance de Benedict Cumberbatch. Todos os atores estão bem mas é ele quem leva o filme. Sem dúvida, O Jogo da Imitação não seria a mesma coisa sem a presença do ator. E Keira Knightley, que está sendo muito elogiada e indicada a todos os prêmios poderia estar melhor se o roteiro tivesse dado a ela maior oportunidade de se destacar: como uma mulher que integrava uma equipe de matemáticos numa época em que mulheres no máximo trabalhavam como secretárias, ela mal aparece exercendo sua inteligência e serve mais como uma espécie de psicóloga de Turing, ajudando-o a se relacionar com os outros.

A verdadeira Joan Clarke

A verdadeira Joan Clarke

De modo geral o filme é muito bom. Pode ser confuso algumas vezes – mais pelo trabalho de montagem do que pelo vocabulário técnico – mas, como diz o próprio Alan Turing no começo, “preste atenção” e tudo será esclarecido.

Curiosidades:

  • Alex Lawther (Turing jovem) e Benedict Cumberbatch usaram o mesmo tipo de dentadura, que era uma réplica exata da dentadura usada por Turing.
  • No filme, Turing aparece correndo várias vezes. Na vida real, o matemático era um atleta que tinha um recorde pessoal de corrida de 2:46:03.
  • Benedict Cumberbatch teve uma crise nervosa na gravação de uma das cenas finais e chorou de verdade.
  • A máquina de Turing era menor do que a vista no filme.
  • Pouco antes do filme estrear nos EUA, o jornal The New York Times republicou o jogo de palavras cruzadas usado por Turing para recrutar pessoas para sua equipe. O prêmio para quem conseguisse completar era uma viagem a Londres e um passeio por Betchley.
As palavras cruzadas de Turing, publicadas no The Daily Telegraph de 1942

As palavras cruzadas de Turing, publicadas no The Daily Telegraph de 1942

  • Os sobrinhos de Turing tinham algumas reservas em relação ao filme mas elogiaram a atuação de Cumberbatch.
  • Benedict Cumberbatch e Alan Turing são primos em 17º grau e ambos passaram pela mesma universidade: Cumberbatch estudou arte dramática na Universidade de Manchester, onde Turing continuou seu trabalho em computação após a Guerra.
  • “Se qualquer jovem alguma vez sentiu que não sabe ao certo quem é, ou não pode se expressar da maneira que gostaria, se alguma vez sofreu bullying pelo o que sente ser normal ou qualquer outra coisa que o faça se sentir um excluído, então, este filme definitivamente é para ele porque é sobre um herói para ele.” – Benedict Cumberbatch durante a estreia do filme em Londres.
  • O site theimitationgamemovie.com (em inglês) contém várias palavras cruzadas concebidas por Turing durante sua vida.
  • O google também lanço um jogo – o “The Code-Cracking Challenge” (em inglês). Quem conseguir quebrar o código mais rapidamente ganhará um prêmio do Google.
  • Stewart Menzies (Mark Strong), o chefe do serviço secreto de inteligência britânico é a base do personagem “M”, de James Bond.
O verdadeiro Stewart Menzies.

O verdadeiro Stewart Menzies.

  • Filme de estreia do diretor norueguês Morten Tyldum.
Morten Tyldum

Morten Tyldum

  • O filme, a equipe e o elenco foram honrados pelo maior grupo de defesa dos direitos LGBT nos EUA, o Human Rights Campaign.

Indicações ao Oscar: 8

  • Melhor filme
  • Melhor diretor: Morten Tyldum
  • Melhor ator: Benedict Cumberbatch
  • Melhor atriz coadjuvante: Keira Knightley
  • Melhor roteiro adaptado
  • Melhor edição
  • Melhor design de produção
  • Melhor trilha sonora

Fontes: imdb, wikipedia, google imagens

“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (2014)

“Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa.”
- Macbeth, Ato V, Cena V.

O trecho acima, retirado da peça Macbeth, de William Shakespeare, e dita por um mendigo durante uma cena de Birdman (2014), resume bem a odisseia de Riggan Thomson, personagem de Michael Keaton.

Cartaz oficial de Birdman, que representa bem a loucura do personagem de Michael Keaton

Cartaz oficial de Birdman, que representa bem a loucura do personagem de Michael Keaton

Ele é um ex-astro de Hollywood, um ator que ficou muito famoso no passado interpretado o super-herói Birdman. Apesar de toda a fama alcançada com o papel, ele não quis mais continuar a série (foram 3 filmes Birdman) e acabou caindo no esquecimento. Agora, 20 anos depois, fracassado, divorciado, com uma filha recém-saída da reabilitação (Emma Stone) e louco, ele tenta se reerguer ao adaptar, dirigir e estrelar um conto do escritor Raymond Carver para a Broadway: Do que falamos quando falamos de amor.

A peça de Riggan Thomson - Do que falamos quando falamos de amor - em cartaz no Teatro St. James

A peça de Riggan Thomson – Do que falamos quando falamos de amor – em cartaz no Teatro St. James

A história se passa dias antes da estreia da peça, durante os ensaios finais. Nesse período, Riggan enfrenta vários problemas: um dos atores misteriosamente sofre um acidente, o substituto (Edward Norton) é irritantemente metódico e egocêntrico, a filha o despreza, ele tem dificuldade em manter o relacionamento com a namorada (Andrea Riseborough) por culpa de seu próprio ego, é humilhado pela principal crítica teatral de Nova York, que odeia celebridades de Hollywood e, por fim, tem de lidar o tempo todo com seu alter-ego: o próprio Birdman, que fala com ele e o diz para abandonar essa ideia de virar ator da Broadway e aceitar ser o que ele é de verdade, um astro de cinema.

Vozes que atormentam

Vozes que atormentam

Birdman trata de várias questões, dentre elas, o embate entre o que é e o que não é arte. Do ponto de vista do filme, expressado muito bem em uma frase dita pela crítica teatral Tabitha Dickinson (Lindsay Duncan), a verdadeira arte é o teatro. O cinema, ainda mais o cinema atual, com seus vários filmes de super-heróis, é só ação e efeitos especiais mas não tem nada de conteúdo. Seus atores não são atores: são apenas celebridades, pessoas quaisquer que ficam famosas apenas por terem boa aparência ou por protagonizarem cenas de ação. Porém, é esse tipo de arte que atrai público, que as pessoas mais gostam de ver e que tornam seus protagonistas famosos e queridos. No mundo afora, atores de teatro raramente chegam ao mesmo nível de fama que atores de cinema e esse é o grande dilema que se passa na cabeça de Riggan Thomson. Ele pode falar que não, que não gostava do personagem Birdman, que era “infeliz” interpretando…talvez até fosse verdade mas, a sensação de superioridade, por salvar pessoas, e de liberdade, por poder voar, eram únicas. E Birdman, seu alter-ego, faz questão de deixar tudo isso bem claro. Mais ainda, a sensação de ser adorado por pessoas no mundo inteiro era a melhor de todas e é o que Thomson busca novamente: o amor e o reconhecimento de todos ao seu redor.

Birdman fala com Riggan

Birdman fala com Riggan

A peça que ele adapta, dirige e estrela é ensaiada 3 vezes durante o filme e, cada vez que ele ensaia, as cenas que são repetidas funcionam de maneira diferente para Riggan. Se no primeiro ensaio ele estava apenas decorando falas e atuando e no último, improvisando, na apresentação final ele já está, de fato, sentindo tudo o que está dizendo e as palavras que diz sobre amor, solidão e o sentido da existência, terão um forte impacto em sua vida e na de todos que estão presentes no teatro assistindo ao espetáculo.

Caminhando para o ato final

Caminhando para o ato final

Para quem não entendeu o final…

*Aviso: contém spoilers.

Já há vários sites expondo as mais variadas explicações sobre o que significa aquele final. Uma entrevista com dois dos quatro roteiristas do filme, Nicolás Giacobone e Alexander Dinelaris, mostra que o objetivo deles era realmente deixar o final em aberto, passível de qualquer interpretação. Porém, eles deram uma dica: a chave para a compreensão está no realismo mágico que o diretor, Alejandro González Iñárritu, tanto gosta.

O filme inteiro é permeado por cenas fantásticas que a gente pressupõe que só estão acontecendo na cabeça de Riggan. Ele é atormentado por Birdman e, em vários momentos, sempre que está se sentindo nervoso, o personagem parece tomar conta dele a ponto de Riggan, de fato, se transformar em um super-herói. Ele passa a ter poderes, como o de mover objetos com os dedos ou só com a força do pensamento. É até capaz de criar uma situação de perigo na qual ele é o salvador. É capaz de voar. Mas tudo isso tem uma explicação. Na cena em que ele chega voando no teatro, vemos um taxista correndo atrás dele e gritando pedindo o dinheiro do táxi, ou seja, Riggan só está imaginando tudo aquilo. Não existe um Birdman real, por mais que ele acredite que sim. Na verdade, é tudo coisa da cabeça dele.

Riggan/Birdman se transformam numa pessoa só

Riggan/Birdman se transformam numa pessoa só

No entanto, se é assim, como a filha pode tê-lo visto voando após ele pular da janela do hospital? Se ele é louco, ninguém mais poderia vê-lo voando, a não ser ele mesmo. Como dito acima, já existem várias explicações, uma delas é a de que a filha é louca também (ainda mais se levarmos em consideração que ela acabou de sair da reabilitação) mas a mais provável é a de que ele realmente morreu após atirar em si mesmo e tudo o que acontece no hospital é sua última alucinação. Ele queria ser famoso e adorado novamente e isso acontece ao realizar um ato extremo em público: tentar o suicídio em pleno teatro lotado. Numa época em que as pessoas clamam por realismo – vide o sucesso dos reality shows e de vídeos em que pessoas são mostradas mortas – nada melhor para chamar a atenção do que tentar se matar ao vivo (Rede de Intrigas já falava sobre os rumos extremistas que a televisão estava tomando em 1976). Após o ato, seus vídeos quebram recorde de visualizações no youtube e seu perfil recém-criado no twitter bomba de seguidores. E, de quebra, ainda consegue uma crítica positiva da mal-humorada Tabitha. Tudo parece dar certo, até o amor da filha que tanto o despreza ele consegue. Riggan queria ser reconhecido, amado e adorado, e sua filha olhando para ele no céu com felicidade é a conquista final que ele tanto buscava, mesmo que depois de morto. É o melhor que ele conseguiu após anos vivendo e sendo tratado como um “palhaço”, que só servia para divertir as pessoas, em histórias cheias de “barulho” e de “fúria”, como Macbeth diz no ato final, após descobrir que sua esposa, atormentada por alucinações, havia se matado. No fim, os atores não passam de objeto de diversão para os outros e aqueles que realmente importa são os que, aparentemente, mais os odiavam.

Vale a pena ver o filme?

Birdman é o tipo de filme que você ou ama ou odeia. Há muitas referências literárias, musicais e cinematográficas que o tornam complexo, de difícil compreensão. A crítica feroz à cultura pop atual também pode incomodar àqueles que gostam de filmes de ação, cheios de efeitos especiais. Quem pensa que Birdman é um filme de superherói ou de ação cheio de efeitos mirabolantes pode passar bem longe, que você irá não só se decepcionar, mas se revoltar, com o risco de sair xingando do cinema.

Porém, se você for assistir ao filme disposto a parar para pensar em todos os significados ocultos e munido de um senso de humor necessário para pegar a ironia e o sarcasmo de toda a situação, então, Birdman será um dos melhores filmes que você verá na vida, merecedor de todos os prêmios que já ganhou e e que ainda pode ganhar, incluindo o Oscar. Mas se não ganhar, também, não importa: Assim como Riggan Thomson é superior a todos àqueles ao seu redor, Birdman é muito melhor do que uma simples estatueta possa indicar.

Curiosidades: 

  • A maior parte do filme foi gravada dentro do Teatro St. James, um dos mais famosos da Broadway e onde a história se passa. Além disso, foi gravado em ordem cronológica e como se realmente fosse uma peça de teatro, ou seja, os atores tinham que ensaiar muito antes de gravar pois Iñárritu gravava até 15 páginas de diálogo de uma vez, sem cortes, e com posições muito bem definidas. Não havia espaço para a improvisação. Quem mais sofreu com esse processo foi Emma Stone, que errava suas falas com frequência. Quem menos sofreu foi Zach Galifianakis.
Zach Galifianakis foi o que teve menos problemas para lidar com o estilo insano de gravação de Alejandro González Iñárritu

Zach Galifianakis foi o que teve menos problemas para lidar com o estilo insano de gravação de Alejandro González Iñárritu

  • O paralelo entre a carreira de Riggan Thomson e Michael Keaton, seu intérprete, é inevitável: ambos ficaram famosos por interpretar super-heróis (Birdman e Batman), caíram no esquecimento depois e tentaram reerguer suas carreiras com um papel desafiador, que não tem nada a ver com o que vinham fazendo até o momento. Fora isso, em uma cena, Riggan diz que não interpreta Birdman desde 1992. Este é o ano que Michael Keaton interpretou Batman pela segunda e última vez, em Batman – O Retorno (Batman Returns, 1992).
Vários dos cartazes de Birdman, retratando o super-herói em diversos pontos conhecidos ao redor do mundo. A primeira imagem parece a ponte estaiada, em São Paulo (será?); a segunda é o letreiro de Hollywood.

Vários dos cartazes de Birdman, retratando o super-herói em diversos pontos conhecidos ao redor do mundo. A primeira imagem parece a ponte estaiada, em São Paulo (será?); a segunda é o letreiro de Hollywood.

  • Iñárritu tinha planos de gravar o filme como se fosse uma única tomada. Quase todo mundo em Hollywood falou para ele não fazer isso que não ia dar certo, mas ele não quis saber e fez assim mesmo. Há cortes, mas os truques de edição e de fotografia fizeram parecer que, realmente, tudo é um processo contínuo. E o fato de a edição de Birdman não ter sido indicada ao Oscar 2015 só prova como os membros da Academia cagaram esse ano.
  • Mais uma parte técnica sensacional do filme e que não foi reconhecida no Oscar é a trilha sonora. Quase toda composta de bateria e representando o estado de nervos do personagem principal, ela foi desclassificada por conter trechos de músicas clássicas e, portanto, não poder ser considerada totalmente “original”.
  • O papel de Mike Shiner, interpretado por Edward Norton, é considerado uma paródia dele mesmo, já que Norton, assim como Shiner, é conhecido no meio artístico por ser muito metódico (ele se transforma nos papeis que interpreta, o que pode ser perigoso, se pensarmos que ele fez A Outra História Americana e Clube da Luta) e grosso, tornando-o uma pessoa bem difícil de se trabalhar, mesmo sendo talentoso.
Michael Keaton e Edward Norton em cena de Birdman

Michael Keaton e Edward Norton em cena de Birdman

  • A cena na qual Riggan corre de cueca pela Times Square foi gravada de madrugada, quando já não tinha quase ninguém na rua, e os figurantes eram membros da equipe.
Michael Keaton correndo de cueca pela Times Square

Michael Keaton correndo de cueca pela Times Square

  • O carpete visto nos bastidores do teatro do filme é o mesmo carpete usado em O Iluminado (The Shining, 1980).

Indicações ao Oscar: 9

  • Mlehor filme
  • Melhor diretor: Alejandro González Iñárritu
  • Melhor ator: Michael Keaton
  • Melhor ator coadjuvante: Edward Norton
  • Melhor atriz coadjuvante: Emma Stone
  • Melhor roteiro original
  • Melhor fotografia
  • Melhor edição de som
  • Melhor mixagem de som

Fontes: imdb, wikipedia, google imagens, huffingtonpost

A farsa de “Grandes Olhos” (2014)

Durante a década de 1960, Walter Keane ganhou fama mundial com quadros que retratavam pessoas e animais com olhos grandes. Com a explicação de que “os olhos são a janela da alma”, as pinturas atraíram a atenção de todos os públicos, desde donas de casa, passando por artistas e chegando aos políticos. Eram vendidos não só os quadros, mas também desenhos, cartazes, brinquedos e todo tipo de produto com as imagens estampadas. Keane ficou milionário e vivia em meio à elite intelectual. Era a vida dos sonhos. Mas o sonho acabou quando sua esposa, Margaret, foi à uma rádio local denunciá-lo por plágio, dizendo que o verdadeiro autor das pinturas era, na verdade, ela mesma. Essa é a história real contada no filme Grandes Olhos (Big Eyes, 2014), dirigido por Tim Burton e estrelado por Amy Adams e Christoph Waltz.

Cartaz nacional de Grandes Olhos, que retrata bem a farsa vivida pela pintora Margaret Keane.

Cartaz nacional de Grandes Olhos, que retrata bem a farsa vivida pela pintora Margaret Keane.

*Aviso: contém spoilers

É 1958, em São Francisco, e Margaret Ulbrich (Amy Adams) está abandonando seu marido, indo embora de casa junto com a filha, Jane (Delaney Raye/Madeleine Arthur). A vida para uma mulher separada e com uma filha pequena na década de 1950 era bem difícil e ela enfrenta dificuldades para se sustentar na sociedade preconceituosa da época. Para passar o tempo e expressar seus sentimentos, ela pinta quadros sempre retratando pessoas e, às vezes, animais com olhos grandes e os vende a míseros $2,00 em uma feirinha de arte numa praça da cidade. Lá, ela conhece um pintor chamado Walter Keane (Christoph Waltz), super carismático e, nota-se, muito bom de papo, que vende seus quadros de paisagens a $35,00. Em pouco tempo os dois se apaixonam e Margaret acaba aceitando seu pedido de casamento, até mesmo como uma forma de poder ficar com a guarda da filha, já que o ex-marido havia entrado na justiça para ter a menina de volta alegando que ela não tinha condições de ser uma boa mãe por estar separada e sem dinheiro.

Margaret (Amy Adams) fugindo do primeiro marido com a filha.

Margaret (Amy Adams) fugindo do primeiro marido com a filha.

Para Walter o casamento também é uma boa oportunidade. Apesar de ganhar a vida como corretor de imóveis, ele diz que seu sonho é ser um grande artista. Seus quadros não chamam muito a atenção, por não terem nada de novo em relação ao movimento artístico da época e por parecerem repetitivos. Ele tenta, então, vender os de Margaret e resolve colocá-los à mostra nas paredes de um bar badalado. Quando começam a chamar a atenção Walter diz ser ele o autor após dois dos frequentadores do ambiente elogiarem-no pela pintura. Ele diz para a esposa que ocorreu um mal-entendido, o que faz Margaret ficar decepcionada e passar a vê-lo com outros olhos. Era uma mentira pequena, que poderia facilmente ter sido revertida, mas logo os quadros ficam famosos, aparecem nos jornais e começam a chamar a atenção de celebridades e Walter diz para Margaret que é melhor ele assumir a autoria dali em diante por dois motivos: 1) ambos agora têm o sobrenome “Keane”, portanto não faz diferença; 2) ninguém daria importância a uma mulher pintora.

O começo da mentira

O começo da mentira

Mesmo triste com a situação e sentindo que está cometendo um erro, Margaret permite que a mentira tome corpo, afinal, ela sempre foi “filha, esposa, mãe”, ou seja, sempre dependeu de alguém. É muito difícil para ela tomar decisões sozinha, ainda mais quando o marido, apesar de mentiroso, é bom marido, bom pai e um excelente manipulador. Durante anos Margaret escondeu esse segredo, inclusive da própria filha. Ela ficava escondida, trancada em um quarto pintando e expressando sua angústia por meio dos grandes olhos retratados, enquanto Walter ganhava a vida totalmente às custas dela: ele largou o emprego e passou a viver em eventos, festas e viagens, paquerando e fazendo contatos com pessoas influentes.

Margaret trancada em um quarto pintando

Margaret trancada em um quarto pintando

Foram 10 anos de mentira. Margaret até criou um novo estilo para vender os quadros com seu próprio nome – “MDH” (Margaret Doris Hawkins, seu nome de solteira) – mas eles não faziam tanto sucesso quanto os “grandes olhos”. Até que um dia, após Walter, bêbado, quase ter matado as duas, Margaret decide fugir novamente e para o Havaí, o “paraíso” no qual ela se casou. Walter aceita a separação com a condição de que ela continue pintando e mandando os quadros para ele, caso contrário ele não lhe dará o divórcio.

Margaret alucinando

Margaret alucinando

A salvação vem por meio de duas testemunhas de Jeová que fazem Margaret tomar coragem de revelar toda a verdade em uma rádio local do Havaí. Isso já em 1970. O escândalo vai parar no tribunal, com Walter usando de sua influência nos jornais para dizer que a ex-esposa é uma louca. O fato dela ter sido conivente com toda essa situação não a ajuda muito, mesmo com ela dizendo que havia sido forçada a isso. O julgamento, que parecia que não ia dar em nada, é resolvido quando o juiz manda os dois pintarem um quadro: Walter alega dor no ombro e mal pega no pincel e Margaret faz uma pintura em 53 minutos. Caso resolvido.

Ficção x realidade

  • Walter realmente entrou numa briga com o dono do bar, o que acabou gerando publicidade para ambos. Porém, se a briga foi intencional, como mostrada no filme, não se sabe;
  • No filme, Walter não faz nenhum esforço para pintar mas, na realidade, ele pediu para a esposa ensiná-lo, o que não deu certo. Ele dizia que ela não havia ensinado direito. A cena foi incluída no roteiro mas não chegou a ser gravada;
Margaret e Walter Keane pintando (ele fingindo) um quadro da atriz Natalie Wood, e a mesma posando com seus auto-retratos.

Margaret e Walter Keane pintando (ele fingindo) um quadro da atriz Natalie Wood, e a mesma posando com seus auto-retratos.

  • A amiga de Margaret, DeeAnn (Krysten Ritter), não existiu. Ela foi criada pelos roteiristas para representar a mulher independente que estava surgindo nos anos 1960 e servir de contraponto para Margaret;
  • O crítico de arte John Canaday (Terence Stamp) realmente escreveu uma crítica detonando o quadro que Margaret havia pintado para a Feira Mundial de 1964, mas Walter não tentou atacá-lo com um garfo como mostrado no filme;
O quadro que o crítico de arte John Canady detonou.

O quadro que o crítico de arte John Canaday detonou.

  • No filme, o julgamento ocorre em 1970. Na realidade, ele aconteceu em 1986, quando ambos estavam bem mais velhos, mas tudo aconteceu do jeito mostrado no filme, inclusive com Walter servindo de advogado a si mesmo.

Curiosidades:

  • Tim Burton possui uma extensa coleção de quadros de Margaret Keane desde a década de 1990, daí seu interesse em fazer um filme sobre a história dela;
  • Grandes Olhos é o primeiro filme dirigido por Tim Burton que não tem atores com quem ele trabalhou anteriormente;
  • A verdadeira Margaret Keane faz uma ponta, sentada num banquinho, enquanto Amy Adams e Christoph Waltz pintam à beira da lagoa;
Amy Adams e a verdadeira Margaret Keane

Amy Adams e a verdadeira Margaret Keane

  • Atores considerados para os papeis principais: Kate Hudson e Thomas Haden Church e Reese Witherspoon e Ryan Reynolds;
  • Margaret virou testemunha de Jeová após deixar Walter e segue a religião até hoje;
  • Walter Keane morreu em 2000 jurando que era o autor dos quadros e que Margaret era louca.
Walter Keane

Walter Keane

Vale a pena ver o filme?

A história real é bem mais dramática e tensa que a mostrada no filme, quase uma história de terror. A interpretação de Waltz talvez incomode pelo exagero mas Walter realmente era daquele jeito e agia da forma mostrada, tanto que a verdadeira Margaret disse ter ficado com medo ao ver o filme, de tão parecido com Walter que Waltz ficou. Amy Adams está maravilhosa como a frágil e insegura Margaret: seu prêmio de melhor atriz – comédia no Globo de Ouro foi bem merecido e configura um injustiça ela não ter sido indicada ao Oscar. A oposição entre as interpretações de ambos funciona muito bem, fazendo com que a gente torça por ela e tenha raiva dele, por mais engraçado que ele seja em alguns momentos.

2015-30-1--11-15-20

Contudo, o filme amenizou tanto a relação dos dois – Margaret passou anos sendo brutalmente torturada psicologicamente pelo louco Walter, sendo ameaçada de morte diversas vezes e até agredida fisicamente, enquanto ele curtia a vida e a traía descaradamente, além dele ter sérios problemas com o álcool – que acabou virando o que é, uma comédia leve, quando deveria ser um drama, ou um suspense gótico, já que é dirigido por Tim Burton. Aliás, exceto pelas cores fortes, Grandes Olhos não tem muito o estilo dele.

Em tempos de retomada do movimento feminista, Grandes Olhos bem que poderia ser um exemplo do empoderamento da mulher mas acaba sendo só um filme estilo sessão da tarde: leve e bom para passar o tempo.

Alguns dos quadros de Margaret Keane

Alguns dos quadros de Margaret Keane

Fontes: wikipedia, imdb, historyvshollywood, google imagens

Lista com os indicados ao César, o “Oscar francês”

Considerado o “Oscar francês”, o César é uma tradicional premiação que está em sua 40ª edição. A lista desse ano chama a atenção pelo embate entre duas biografias do estilista Yves Saint-Laurent: Yves Saint-Laurent (2014), biografia autorizada com 5 indicações, e Saint Laurent (2014), biografia não-autorizada com 10 indicações, o recordista.

Cartazes de Yves Saint Laurent (2014) e Saint Laurent (2014), respectivamente.

Cartazes de Yves Saint Laurent (2014) e Saint Laurent (2014), respectivamente.

Chamam a atenção o filme Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014), filme de estreia de Thomas Cailley, com 9 indicações, e Timbuktu (2014), o representante da Mauritânia no Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro, com 8 indicações. Também estão na lista Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014), indicado a melhor filme estrangeiro, e O Sal da Terra, do brasileiro Juliano Salgado, indicado a melhor documentário.

Mas a maior surpresa foi a indicação de Kristen Stewart, como melhor atriz coadjuvante, por Acima das Nuvens (Sils Maria, 2014). Será uma reviravolta na carreira dela?

A premiação contará também com uma homenagem a Sean Penn.

Abaixo, a lista com os indicados. O César será em Paris, no dia 20 de fevereiro.

Cartaz da premiação, com a imagem da atriz Fanny Ardant.

Cartaz da premiação, com a imagem da atriz Fanny Ardant.

MELHOR FILME
Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014
Meninos do Oriente (Eastern Boys, 2014)
A Família Bélier (La famille Bélier, 2014)
Saint Laurent (2014)
Hipócrates (Hippocrate, 2014)
Acima das Nuvens (Sils Maria, 2014)
Timbuktu (2014)

MELHOR DIREÇÃO
Céline Sciamma por Garotas (Bande de filles, 2014)
Thomas Cailley por Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014)
Robin Campillo por Meninos do Oriente (Eastern Boys, 2014)
Thomas Lilti por Hipócrates (Hippocrate, 2014)
Bertrand Bonello por Saint Laurent (2014)
Olivier Assayas por Acima das Nuvens (Sils Maria, 2014)
Abderrahmane Sissako por Timbuktu (2014)

MELHOR ATRIZ
Juliette Binoche por Acima das Nuvens (Sils Maria, 2014)
Catherine Deneuve por Dans La Cour (2014)
Marion Cotillard por Dois Dias, Uma Noite (Deux jours, une nuit, 2014)
Emilie Dequenne por Pas Son Genre (2014)
Adèle Haenel por Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014)
Sandrine Kiberlain por Elle L’Adore (2014)
Karin Viard por A Família Bélier (La famille Bélier, 2014)

MELHOR ATOR
Pierre Niney por Yves Saint-Laurent (2014)
Romain Duris por Une Nouvelle Amie (2014)
Gaspard Ulliel por Saint Laurent (2014)
Guillaume Canet por La Prochaine Fois Je Viserai Le Coeur (2014)
Niels Arestrup por Diplomacia (Diplomatie, 2014)
François Damiens por A Família Bélier (La Famille Bélier, 2014)
Vincent Lacoste por Hipócrates (Hippocrate, 2014)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Marianne Denicourt por Hipócrates (Hippocrate, 2014)
Claude Gensac por Lulu, Nua e Crua (Lulu femme nue, 2013)
Izïa Higelin por Samba (2014)
Charlotte Le Bon por Yves Saint-Laurent (2014)
Kristen Stewart por Acima das Nuvens (Sils Maria, 2014)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Eric Elmosnino por A Família Bélier (La famille Bélier, 2014)
Jérémie Renier por Saint Laurent (2014)
Guillaume Gallienne por Yves Saint-Laurent (2014)
Louis Garrel por Saint Laurent (Saint Laurent, 2014)
Reda Kateb por Hipócrates (Hippocrate, 2014)

REVELAÇÃO FEMININA
Lou de Laâge por Respira (Respire, 2014)
Joséphine Japy por Respira (Respire, 2014)
Louane Emera por A Família Bélier (La famille Bélier, 2014)
Ariane Labed por Fidelio, L’Odyssée D’Alice (2014)
Karidja Touré por Garotas (Bande de filles, 2014)

REVELAÇÃO MASCULINA
Kevin Azaïs por Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014)
Ahmed Dramé por Les Héritiers (2014)
Kirill Emelyanov por Meninos do Oriente (Eastern Boys, 2014)
Pierre Rochefort por Um Belo Domingo (Un beau dimanche, 2013)
Marc Zinga por Qu’Allah Bénisse La France! (2014)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014)
A Família Bélier (La famille Bélier, 2014)
Hipócrates (Hippocrate, 2014)
Acima das Nuvens (Sils Maria, 2014)
Timbuktu (2014)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O Quarto Azul (La Chambre Bleue, 2014)
Diplomacia (Diplomatie, 2014)
Pas Son Genre (2014)
Lulu, Nua e Crua (Lulu femme nue, 2013)
La Prochaine Fois Je Viserai Le Coeur (2014)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Sono de Inverno (Kis uykusu, 2014)
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Dois Dias, Uma Noite (Deux jours, une nuit, 2014)
Mommy (2014)
Ida (2013)
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014)

MELHOR FILME DE ESTREANTE
Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014)
Elle L’Adore (2014)
Fidelio, L’Odyssée D’Alice (2014)
Party Girl (2014)
Qu’Allah Bénisse La France (2014)

MELHOR TRILHA SONORA
Garotas (Bande de filles, 2014)
Pessoas-pássaro (Bird People, 2014)
Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014)
Timbuktu (2014)
Yves Saint-Laurent (2014)

MELHOR EDIÇÃO
Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014)
Hipócrates (Hippocrate, 2014)
Party Girl (2014)
Saint Laurent (2014)
Timbuktu (2014)

MELHOR FOTOGRAFIA
A Bela e a Fera (La belle et la bête, 2014)
Saint Laurent (Saint Laurent, 2014)
Acima das Nuvens (Sils Maria, 2014)
Timbuktu (2014)
Yves Saint-Laurent (2014)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
A Bela e a Fera (La belle et la bête, 2014)
La French (2014)
Saint Laurent (2014)
Timbuktu (2014)
Yves Saint-Laurent (2014)

MELHOR FIGURINO
A Bela e a Fera (La belle et la bête, 2014)
La French (2014)
Saint Laurent (2014)
Une Nouvelle Amie (2014)
Yves Saint-Laurent (2014)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Caricaturistes – Fantassins De La Démocratie (2014)
Les Chèvres De Ma Mère (2014)
A Escola de Babel (La cour de Babel, 2014)
National Gallery (2014)
O Sal da Terra (Le sel de la terre, 2014)

MELHOR SOM
Garotas (Bande de filles, 2014)
Pessoas-pássaro (Bird People, 2014)
Amor à Primeira Briga (Les combattants, 2014)
Saint Laurent (2014)
Timbuktu (2014)

MELHOR ANIMAÇÃO
Minúsculos: O Filme (Minuscule – La vallée des fourmis perdues, 2014)
Jack Et La Mécanique Du Coeur (2014)
Song of the Sea (Le chant de la mer, 2014)

MELHOR CURTA
Aïssa (2014)
La Femme De Rio (2013)
Inupiluk (2014)
Les Jours D’Avant (2013)
Où Je Mets Ma Pudeur (2013)
La Virée A Paname (2013)

MELHOR CURTA EM ANIMAÇÃO
Bang Bang! (2014)
La Bûche De Noël (2013)
La Petite Casserole D’Anatole (2014)
Les Petits Cailloux (2014)

Fonte: adorocinema, wikipedia, imdb, google imagens

Concurso de críticas sobre “A Teoria de Tudo”

O AdoroCinema está realizando um concurso de críticas sobre A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014), estrelado por Eddie Redmayne e Felicity Jones, e com 5 indicações ao Oscar 2015: melhor filme, melhor ator (Eddie Redmayne), melhor atriz (Felicity Jones), melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora.

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O filme, que estreou hoje (29/01), narra o relacionamento entre o físico Stephen Hawking e sua esposa durante anos, Jane Wilde, intercalado por suas descobertas científicas que fariam-no ser considerado o sucessor de Einstein, bem como sua luta contra a esclerose lateral amiotrófica.

Eddie Redmayne e Felicity Jones como Stephen Hawking e Jane Wilde

Eddie Redmayne e Felicity Jones como Stephen Hawking e Jane Wilde

Quem já viu o filme, ou pretende ver, pode escrever uma crítica contando sua opinião e enviar para o AdoroCinema, até às 23h59 do dia 02 de fevereiro (escrever crítica aqui). O melhor texto será publicado no site na quarta-feira, dia 04/02.

Regras:

  • Escreva uma crítica de no mínimo 50 caracteres;
  • Não use linguagem grosseira;
  • Escreva de forma clara, com gramática e ortografia corretas;
  • Evite MAIÚSCULAS na sua crítica;
  • Se você conta segredos ou o final do filme, por favor utilize o botão “Spoiler”.

Trailer legendado:

“Conflito das Águas” (2010): O futuro de São Paulo?

De dezembro de 1999 a abril de 2000 a cidade de Cochabamba, na Bolívia, foi tomada por uma onda de protestos violentos contra a privatização da água. O ocorrido foi colocado como pano de fundo no filme Conflito das Águas (También la lluvia, 2010), que narra a história de um filme sobre Cristóvão Colombo sendo gravado em meio ao conflito pela água.

Cartaz original de Conflito das Águas

Cartaz original de Conflito das Águas, destacando o fato de o filme ter sido escolhido como representante da Espanha no Oscar. Porém, não chegou a completar a lista final.

No roteiro do filme dirigido por Sebastián (Gael García Bernal) e produzido por Costa (Luis Tosar), Cristóvão Colombo é um homem cruel que só está interessado em pegar todo o ouro que encontrar na América, explorando, para isso, os índios, que acabam por organizar uma rebelião contra o estrangeiro. Paralelamente a isso, uma empresa americana comprou a estatal responsável pelo fornecimento de água em Cochabamba e está cobrando valores absurdos para o consumo, totalmente não condizente com o salário que a maioria dos habitantes recebe. A situação chega ao ponto em que até mesmo pegar água da chuva torna-se crime, daí o título em espanhol: “también la lluvia” = também a chuva/até a chuva. Nesse cenário destaca-se Daniel (Juan Carlos Aduviri), ao mesmo tempo personagem crucial no filme, no papel de um índio rebelde, e líder da revolta popular contra a privatização da água.

Sebastián (Gael García Bernal) dirige Daniel (Juan Carlos Aduviri), personagem crucial e líder da revolta popular.

Sebastián (Gael García Bernal) dirige Daniel (Juan Carlos Aduviri), personagem crucial e líder da revolta popular.

Toda essa situação é, no mínimo, tensa. Sebastián e Costa se preocupam apenas com a realização do filme: o conflito pela água só importa no sentido de atrapalhar ou não as gravações. Daniel está no filme porque precisa do dinheiro mas, também, porque sua filha sonha em ser atriz, ao mesmo tempo em que se mete em confusões com a polícia devido aos conflitos. E o governo boliviano jogou tudo nas mãos das empresas estrangeiras e ignora os acontecimentos, oferecendo champanhe enquanto o pau quebra do lado de fora. Obviamente que tudo isso culminará numa situação de caos total: o término das gravações será ameaçado e pessoas terão suas vidas drasticamente alteradas. Porém, no fim, só um personagem mudará de opinião e verá a importância que toda a revolta tem. E a água? Essa voltará a ser um bem de todos, pelo menos temporariamente.

Cenas do filme sobre Cristóvão Colombo

Cenas do filme sobre Cristóvão Colombo

Vale a pena assistir Conflitos das Águas para pensar sobre a crise que tomou conta de São Paulo e de outros estados, mas o filme em si é problemático. A diretora Icíar Bollaín acertou no paralelo entre a conquista do ouro e a conquista da água e na ideia de colocar um filme dentro de um filme mas, ao mesmo tempo, soa hipócrita ao fazer isso: será se ela também não explorou os atores coadjuvantes e figurantes do filme, pagando-lhes menos do que deveria? Nenhum deles fez um outro papel relevante e, atualmente, andam sumidos. Além disso, o filme é uma produção espanhola, bem como sua diretora, e foi gravado na Bolívia. Uma produção europeia falando de um conflito da América Latina. Ou seja, o problema foi bem mais grave do que o filme mostra.

Cenas do conflito pela água.

Cenas do conflito pela água.

Resumo do contexto sócio-histórico

Conflito das Águas é baseado em fatos reais. A guerra da água ocorrida em Cochabamba teve como antecedentes motivos puramente políticos. Quando a ditadura militar bolivariana acabou, em 1982, o país estava economicamente quebrado. Com uma inflação que chegava a 25000% ao ano, nenhum outro país queria investir na Bolívia e a solução encontrada foi apelar para o Banco Mundial, que propôs a privatização das estatais. Assim, ao longo dos anos, todo o sistema ferroviário, telefônico, aéreo e as indústrias de hidrocarboneto foram privatizadas. Por fim, a água acabou sendo também privatizada e vendida para uma empresa americana, que cobrava $20 por mês, muito mais do que o povo da Bolívia podia gastar. Em pouco tempo, toda a população se revoltou, incluindo a classe média, que não gostou nem um pouco da alta no preço na conta de água, e até mesmo crianças se meteram na confusão, e uma greve geral foi convocada, greve essa que durou 4 dias.

Cenas reais da "Guerra da Água de 2000"

Cenas reais da “Guerra da Água de 2000″

Mesmo com toda a violência da polícia, com todas as prisões, com todos os feridos e com 96% da população exigindo o cancelamento do contrato com a empresa estrangeira, o governo não cedeu e a Bolívia entrou em estado de sítio. Todas as comunicações foram cortadas e o país ficou temporariamente isolado: ninguém entrava, ninguém saía.

No final, depois de 4 meses de conflitos, após os protestos terem se intensificado com a morte de um adolescente e a polícia não podendo mais garantir a proteção dos empresários, o governo assinou o cancelamento do contrato e a água voltou a ser pública. No entanto, mesmo pública, o preço continuou alto para boa parte da população (leia-se: para os pobres) e muitos continuaram sem ter acesso direto à água.

O futuro de São Paulo?

Um presente: água.

Um presente: água.

No final do filme, Daniel presenteia Costa com um vidrinho de água. De repente, a água se tornara um bem tão precioso quanto o ouro que Colombo buscava. Com a confirmação do racionamento (ou “restrição hídrica”), a água em São Paulo caminha para o mesmo destino da água em Cochabamba, a menos que aconteça um milagre. O Brasil, assim como a Bolívia, também passou por um ditadura militar que quebrou o país economicamente e resultou em várias empresas privatizadas nos anos que se seguiram. Só falta privatizar a água. Pode parecer que não, que não é para tanto, que tudo vai se ajeitar, mas é um problema cultural do brasileiro achar que tudo vai dar certo. E, enquanto continuarmos achando que não é nada demais, o Brasil, com São Paulo na frente, vai caminhando para uma guerra, nos moldes dos que aconteceram na Bolívia.

Trailer legendado em inglês do filme Conflito das Águas:

*Link para o documentário A Corporação (The Corporation, 2003), que mostra cenas reais da Guerra da Água na Bolívia: https://www.youtube.com/watch?v=Zx0f_8FKMrY

Fontes: imdb, wikipedia, google imagens.

“Blade Runner” e “Chinatown” em exibição na Mostra Neo-Noir, no Cinusp e no Maria Antonia

O gênero (ou movimento, há controvérsias) noir surgiu nos EUA para retratar as dúvidas e o clima de tensão que tomou conta da população após a Segunda Guerra Mundial. Com seres humanos matando uns aos outros por motivos puramente políticos, em uma disputa do capitalismo x socialismo, tornou-se praticamente impossível para as pessoas confiarem umas nas outras. O noir veio para retratar essa nova realidade, com suas histórias misteriosas, reviravoltas mirabolantes, homens corruptos e mulheres duvidosas. Um bom exemplo de filme noir é Um Retrato de Mulher, que inaugura o gênero.

Passada a Segunda Guerra Mundial, o noir desaparece temporariamente mas, nas próximas décadas, vários filmes são feitos tanto como uma forma de ressurreição quanto como uma homenagem. Alguns deles, como os clássicos Blade Runner e Chinatown, estão em exibição no Cinusp e no Maria Antonia, em São Paulo, de 26 de janeiro a 22 de fevereiro.

Veja a programação completa abaixo. Para maiores informações, ver site do Cinusp e do Maria Antonia.

Alphaville (Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution, 1965) – 27/01 às 16h, no Cinusp

Eddie Constantine e Anna Karina em cena de Alphaville

Eddie Constantine e Anna Karina em cena de Alphaville

Um agente secreto americano precisa ir a uma distante cidade espacial, chamada Alphaville, para encontrar uma pessoa desaparecida e libertar o local de seu ditador. Direção: Jean-Luc Godard. Elenco: Eddie Constantine, Anna Karina e Akim Tamiroff. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim.

Um Perigoso Adeus (The Long Goodbye, 1973) – 27/01 às 19h, no Cinusp

Elliott Gould em Um Perigoso Adeus

Elliott Gould em Um Perigoso Adeus

O detetive Philip Marlowe tenta ajudar um amigo que foi acusado de assassinar a própria esposa. Direção: Robert Altman. Elenco: Elliott Gould, Sterling Hayden e Nina van Pallandt.

O Diabo Veste Azul (Devil in a Blue Dress, 1995) – 28/01 às 19h, no Cinusp; 31/01 às 20h, no Maria Antonia; 06/02 às 16h, no Cinusp

Jennifer Beals e Denzel Washington em O Diabo Veste Azul

Jennifer Beals e Denzel Washington em O Diabo Veste Azul

Um veterano negro da Segunda Guerra Mundial aceita trabalho como detetive. Sua função é encontrar uma mulher branca, esposa de um ricaço, que acredita-se estar escondida em algum lugar da comunidade negra de Los Angeles. Direção: Carl Franklin. Elenco: Denzel Washington, Tom Sizemore e Jennifer Beals.

O Poder da Sedução (The Last Seduction, 1994) – 28/01 às 16h, no Cinusp; 31/01 às 18h, no Maria Antonia

Linda Fiorentino em cena de O Poder da Sedução

Linda Fiorentino em cena de O Poder da Sedução

Uma femme fatale rouba o dinheiro de seu marido, que ele conseguiu vendendo drogas, e se esconde em uma cidadezinha na qual procura pelo trouxa perfeito para aplicar o próximo golpe. Direção: John Dahl. Elenco: Linda Fiorentino, Bill Pullman e Peter Berg.

O Homem que Não Estava Lá (The Man Who Wasn’t There, 2001) – 29/01 às 16h, no Cinusp; 06/02 às 19h, no Cinusp; 14/02 às 20h, no Maria Antonia

Billy Bob Thornton como o barbeiro de O Homem que Não Estava Lá

Billy Bob Thornton como o barbeiro de O Homem que Não Estava Lá

Um barbeiro do tipo calado chantageia o amante da esposa, que também é chefe dela, com o objetivo de conseguir dinheiro para investir em limpeza a seco. Mas seu plano dá terrivelmente errado. Direção: Joel e Ethan Coen. Elenco: Billy Bob Thornton, Frances McDormand, Michael Badalucco, James Gandolfini e Scarlett Johansson. Vencedor do prêmio de melhor diretor para Joel Coen no Festival de Cannes e de melhor fotografia no BAFTA.

O Samurai (Le samouraï, 1967) – 29/01 às 19h, no Cinusp

Alain Delon em cena de O Samurai

Alain Delon em cena de O Samurai

Após matar o dono de uma boate, um assassino profissional é visto por testemunhas. Seus esforços para conseguir um álibi falham e sua vida vira de cabeça para baixo. Direção: Jean-Pierre Melville. Elenco: Alain Delon, Nathalie Delon e François Périer.

Blade Runner – O Caçador de Androides (Blade Runner, 1982) – 30/01 às 20h, no Maria Antonia; 09/02 às 16h, no Cinusp; 19/02 às 19h, no Cinusp

Rutger Hauer em cena de Blade Runner

Rutger Hauer em cena de Blade Runner

Um caçador de androides precisa encontrar e matar 4 replicantes que roubaram uma nave espacial e retornaram à Terra para encontrar seu criador em busca da vida eterna. Direção: Ridley Scott. Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young e Daryl Hannah. Vencedor de 3 prêmios BAFTA: melhor fotografia, melhor figurino e melhor direção de arte.

Hammett – Mistério em Chinatown (Hammett, 1982) – 30/01 às 16h, no Cinusp; 08/02 às 18h, no Maria Antonia

Frederic Forrest como Hammett

Frederic Forrest como Hammett

Em São Francisco, o escritor Dashiell Hammett se envolve na investigação do misterioso desaparecimento de uma atriz chinesa de cabaré. Direção: Win Wenders. Elenco: Frederic Forrest, Peter Boyle e Marilu Henner.

À Queima-Roupa (Point Blank, 1967) – 30/01 às 19h, no Cinusp

Lee Marvin, à direita, em À Queima-Roupa

Lee Marvin, à direita, em À Queima-Roupa

Após ser traído e deixado para morrer, um misterioso homem tenta recuperar a soma de dinheiro que lhe foi roubada. Direção: John Boorman. Elenco: Lee Marvin, Angie Dickinson e Keenan Wynn.

A Dama do Cine Shanghai (1987) – 01/02 às 18h, no Maria Antonia; 02/02 às 16h, no Cinusp; 11/02 às 19h, no Cinusp

Maitê Proença em foto promocional de A Dama do Cine Shanghai

Maitê Proença em foto promocional de A Dama do Cine Shanghai

Um corretor de imóveis e ex-lutador de boxe entra em um cinema na decadente São Paulo e conhece uma mulher misteriosa, muito parecida com a atriz do filme sendo exibido. Ele se envolve com ela e com seus problemas e, em pouco tempo, é acusado de um crime. Direção: Guilherme de Almeida Prado. Elenco: Maitê Proença, Antônio Fagundes e José Lewgoy. Vencedor de 6 prêmios no Festival de Gramado, incluindo melhor filme, e de melhor filme no Festival SESC Melhores Filmes.

Corpos Ardentes (Body Heat, 1981) – 01/02 às 20h, no Maria Antonia; 19/02 às 16h, no Cinusp

Kathleen Turner e William Hurt em Corpos Ardentes

Kathleen Turner e William Hurt em Corpos Ardentes

No meio de uma onda de calor na Flórida, uma mulher convence seu amante, um advogado, a matar seu rico marido. Direção: Lawrence Kasdan. Elenco: Kathleen Turner, William Hurt e Richard Crenna.

Uma Cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit, 1988) – 02/02 às 19h, no Cinusp; 13/02 às 16h, no Cinusp, 21/02 às 18h, no Maria Antonia

Bob Hoskins e Charles Fleischer (voz de Roger Rabbit) em cena de Uma Cilada para Roger Rabbit

Bob Hoskins e Charles Fleischer (voz de Roger Rabbit) em cena de Uma Cilada para Roger Rabbit

Um detetive que odeia desenhos é a única esperança de um coelho animado, quando este é acusado de assassinato. Direção: Robert Zemeckis. Elenco: Bob Hoskins, Joanna Cassidy, Christopher Lloyd e Charles Fleischer. Vencedor de 4 Oscars: melhor edição, melhor edição de som, melhores efeitos visuais e prêmio especial pela direção de animação.

Cliente Morto Não Paga (Dead Men Don’t Wear Plaid, 1982) – 03/02 às 19h, no Cinusp; 12/02 às 16h, no Cinusp; 22/02 às 18h, no Maria Antonia

Steve Martin em cena de Cliente Morto Não Paga

Steve Martin em cena de Cliente Morto Não Paga

Paródia de um filme noir, na qual um detetive tenta solucionar um caso sinistro. Com participação especial de vários personagens de filmes noir antigos. Direção: Carl Reiner. Elenco: Steve Martin e Rachel Ward.

Os Imorais (The Grifters, 1990) – 03/02 às 16h, no Cinusp; 09/02 às 19h, no Cinusp; 21/02 às 20h, no Maria Antonia

Anjelica Huston, John Cusack e Annette Bening em foto promocional de Os Imorais

Anjelica Huston, John Cusack e Annette Bening em foto promocional de Os Imorais

Um vigarista tem dificuldade em lidar com sua mãe e com sua namorada, ambas também vigaristas. Direção: Stephen Frears. Elenco: John Cusack, Anjelica Huston e Annette Bening.

Chinatown (1974) – 05/02 às 16h, no Cinusp; 13/02 às 19h, no Cinusp, 14/02 às 18h, no Maria Antonia

Faye Dunaway e Jack Nicholson em cena de Chinatown

Faye Dunaway e Jack Nicholson em cena de Chinatown

Um detetive particular contratado para expor uma mulher adúltera se vê preso numa rede de mentiras, corrupção e assassinato. Direção: Roman Polanski. Elenco: Jack Nicholson, Faye Dunaway e John Huston. Vencedor do Oscar de melhor roteiro original e de 4 Globos de Ouro, incluindo melhor filme e melhor roteiro.

Los Angeles – Cidade Proibida (L.A. Confidential, 1997) – 07/02 às 18h, no Maria Antonia; 20/02 às 19h, no Cinusp

James Cromwell, Guy Pearce, Russell Crowe e Kevin Spacey em Los Angeles - Cidade Proibida

James Cromwell, Guy Pearce, Russell Crowe e Kevin Spacey em Los Angeles – Cidade Proibida

Conforme a corrupção vai crescendo na Los Angeles da década de 1950, 3 policiais – um certinho, um brutal e um corrupto – investigam uma série de assassinatos, cada um com sua própria maneira de fazer justiça. Direção: Curtis Hanson. Elenco: Kevin Spacey, Russell Crowe, Guy Pearce, James Cromwell e Kim Basinger.

A Piscina Mortal (The Drowning Pool, 1975) – 07/02 às 20h, no Maria Antonia

Paul Newman em cena de A Piscina Mortal

Paul Newman em cena de A Piscina Mortal

Um detetive particular da cidade grande viaja até o sul dos EUA para ajudar uma ex-namorada que está sendo chantageada. Direção: Stuart Rosenberg. Elenco: Paul Newman, Joanne Woodward e Anthony Franciosa.

Má Educação (La mala educación, 2004) – 20/02 às 20h, no Maria Antonia

Cena do filme Má Educação

Cena do filme Má Educação

O resultado dos abusos sexuais, sofridos em um colégio religioso, na vida de dois amigos. Direção: Pedro Almodóvar. Elenco: Gael García Bernal, Fele Martínez e Javier Cámara.

Quando: de 26 de janeiro a 22 de fevereiro

Locais e endereços: Cinusp (Rua do Anfiteatro, 181 – Cidade Universitária) e Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque)

Quanto: gratuito

Fontes: cinusp, imdb, google imagens

Lista com os vencedores do Sindicato dos Produtores 2015

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O PGA (Producers Guild of America) é o prêmio dos sindicato dos produtores de Hollywood, tanto na categoria cinema quanto na categoria televisão. A premiação ocorreu no dia 24 de janeiro e teve como vencedor máximo o filme Birdman, confirmando o favoritismo em relação a Boyhood. A lista com os vencedores da categoria cinema encontra-se abaixo (vencedores em negrito):

MELHOR PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA

O Abutre (Nightcrawler, 2014)

Birdman (2014)

Boyhood – Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014)

Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, 2014)

Garota Exemplar (Gone Girl, 2014)

O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014)

O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014)

Sniper Americano (American Sniper, 2014)

A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014)

Whiplash (2014)

MELHOR PRODUÇÃO DE ANIMAÇÃO

Uma Aventura Lego (The Lego Movie, 2014)

Os Boxtrolls (The Boxtrolls, 2014)

Como Treinar o Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2, 2014)

Festa no Céu (The Book of Life, 2014)

Operação Big Hero (Big Hero 6, 2014)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

The Green Prince (2014)

Life Itself – A Vida de Roger Ebert (Life Itself, 2014)

Merchants of Doubt (2014)

Particle Fever (2013)

Virunga (2014)

Fontes: imdb, google imagens