“Hoje eu quero voltar sozinho” (2013)

Quando escrevi sobre o filme Ela (Her, 2013), falei que filmes românticos geralmente seguem a seguinte regra:

pessoas se conhecem → enfrentam problemas → tudo é resolvido

Por isso, filmes do gênero costumam ser repetitivos e, consequentemente, chatos. Assim, a originalidade se dá ou pela maneira que a história é contada ou pela não convencionalidade dos personagens. É o caso de Ela, no qual o personagem principal se apaixona por um software; é o caso de Amor (Amour, 2012), o qual mostra o relacionamento de um casal de idosos e como o marido faz de tudo para cuidar da esposa que sofreu um derrame; e é o caso do brasileiro Hoje eu quero voltar sozinho (2013), sobre um adolescente cego que se apaixona por outro rapaz.

heqvs_0002_cartaz_lomo_final_01_om

Não é fácil lidar com temas como o primeiro amor, a descoberta da sexualidade – e da homossexualidade – e a passagem da adolescência para a vida adulta sem cair no senso-comum ou no ridículo mesmo. E é ainda mais difícil mostrar tais temas no cinema brasileiro, já que a nossa especialidade é a crítica social. Porém, ser difícil não significa ser impossível e o diretor e roteirista estreante Daniel Ribeiro conseguiu a façanha de tratar desses temas com tamanha naturalidade e delicadeza que a gente até sai do cinema com a certeza de que a vida é bela.

Para criar essa atmosfera, Ribeiro escolheu mostrar essa história de amor numa atmosfera de sonho: o bairro em que os personagens moram é calmo, arborizado e ensolarado, simplesmente perfeito. Não há nem sequer referências à violência que assola essa cidade caótica chamada São Paulo. Pois é, eu custei a acreditar mas o filme se passa – e foi gravado –  na cidade de São Paulo. Referências ao preconceito que os personagens poderiam sofrer por se assumirem homossexuais também são praticamente inexistentes. O filme não mostra como as coisas são mas sim, como elas deveriam ser.

Leonardo (Guilherme Lobo)

Leonardo (Guilherme Lobo)

Leonardo (Guilherme Lobo) é um garoto cego e introvertido, super protegido pelos pais, principalmente pela mãe, que acha que ele não pode fazer quase nada sozinho. Sua melhor e única amiga é Giovana (Tess Amorim), que o ajuda em tudo, inclusive levando-o para casa todos os dias após a escola. Porém, após anos tendo que depender dos outros e, muitas vezes, sendo impedido de fazer o que gostaria, Leonardo começa a dar sinais de sufocamento e a querer mudar completamente de vida, pensando em fazer intercâmbio, não só para se livrar do ambiente extremamente protetor (e opressor) que tem em casa mas também para mostrar que pode se virar sozinho.

O trio: Gabriel (Fabio Audi), Giovana (Tess Amorim) e Leonardo (Guilherme Lobo)

O trio: Gabriel (Fabio Audi), Giovana (Tess Amorim) e Leonardo (Guilherme Lobo)

 

Essa vontade de independência e de descobrir coisas novas surge ao mesmo tempo em que Gabriel (Fabio Audi) aparece. Ele é o novo aluno da escola e não demora muito para ambos ficarem amigos. Pouco tempo depois, Gabriel se torna o responsável por mostrar um mundo novo a Leonardo, por meio de coisas simples – e isso é o mais legal do filme (aliás, o título original era Todas as coisas mais simples) – como andar de bicicleta, ir ao cinema, ouvir rock (Leonardo só ouvia música clássica), dançar e até mesmo ver um eclipse. Sobre ir ao cinema, uma pequena informação: o CineSesc, no centro de São Paulo, onde o filme teve sua primeira pré-estreia, é adaptado para pessoas cegas (fones de ouvido com audiodescrição) e surdas (legendas descritivas). Tudo bem que é o único cinema por aqui que possibilita isso, mas existe. Voltando: Gabriel mostra a Leonardo que ser cego não é impedimento para ver – ou sentir – as coisas. É então que Leonardo se descobre apaixonado por Gabriel. A partir daí, só falta descobrir se o sentimento é mútuo.

Passeando de bicicleta pelo bairro

Passeando de bicicleta pelo bairro

Ensinado a dançar

Ensinado a dançar

O fato de Gabriel ser reservado em relação aos seus sentimentos e simpático com todo mundo faz com que Leonardo fique o tempo na dúvida. Nós, o público, também ficamos na dúvida pois ele não dá quase nenhum sinal. E Giovana? Ela é os olhos de Leonardo e, para tanto, está sempre de olho no que ele está fazendo para contar a ele. Mas como ela gosta de Leonardo e se sente atraída por Gabriel, tudo o que diz é distorcido. E ela nem sabe dos sentimentos de um pelo outro. A princípio.

Refletindo na piscina

Refletindo na piscina

Um pouco mais para cima, disse que o filme mostra não como as coisas são mas como deveriam ser. Isso significa que o final é feliz. E lindo também. Se um dia fizer uma lista com as melhores cenas finais do cinema, a desse filme vai aparecer no topo, com certeza. Não vou revelar o que acontece exatamente no final, mas ele não é o mais importante do filme: o caminho percorrido por Leonardo o é.

curta-eu-nao-quero-voltar-sozinho

Pontos positivos

Praticamente tudo. Num período em que o cinema nacional está se destacando pela comédia, além dos já citados filmes de crítica social, Hoje eu quero voltar sozinho se destaca por ser diferente de tudo o que estamos acostumados a ver no Brasil. Os atores são iniciantes e estão todos muito bem. Guilherme Lobo chega a nos deixar na dúvida se ele é realmente cego ou não (não é), Tess Amorim está ótima como a garota apaixonada pelo melhor amigo que não sabe bem como reagir ao descobrir que esse amigo é gay, mas que acaba aceitando e apoiando, e Fabio Audi, na minha opinião, é o melhor dos três. Os sentimentos de Gabriel por Leonardo nunca ficam claros, até quase o final, o que dá o “suspense”, a agonia e, claro, a vontade de ver até o fim para saber no que vai dar, apesar de já estar meio que claro, no decorrer da história, como vai terminar.

Não se pode deixar de falar, mais uma vez, de Daniel Ribeiro, o diretor e roteirista. Se o filme é tão bom é graças, principalmente, a ele. Sem seu roteiro e sem sua direção, nem filme existiria. A trilha sonora, uma mistura de música clássica e rock, principalmente Belle & Sebastian (a música There’s Too Much Love – “Há muito amor” – é quase uma personagem do filme), a fotografia, que conseguiu a façanha de mostrar uma São Paulo ensolarada e com céu azul são também impecáveis.

Leonardo e sua máquina de escrever

Leonardo e sua máquina de escrever

Outra coisa muito boa é mostrar com detalhes como vive um adolescente cego. Questões que a maioria das pessoas provavelmente nunca se preocupou em perguntar são mostradas no filme, como a presença de uma máquina de escrever em braile na sala de aula e a existência de famílias estrangeiras preparadas para receber um intercambista cego.

O mais impressionante é saber que quase todos, tanto do elenco quanto dos bastidores, estão na luta (porque fazer cinema no Brasil é para poucos) há pouco tempo e já fizeram um filme premiado. Pois é, quando estreou aqui, dia 10 de abril, Hoje eu quero voltar sozinho já tinha sido visto em pré-estreias e, também, no Festival de Berlim, onde ganhou dois prêmios: o Teddy, de melhor filme com temática LGBT, e o melhor da mostra Panorama. E mesmo assim, ele está passando em circuito limitado nos cinemas daqui de São Paulo.

Pontos negativos

Nenhum. Juro, não consegui achar nenhum ponto negativo nesse filme.

Vale a pena assistir?

Depois de tudo o que disse, não preciso nem responder. Só vou dar um aviso, que nada mais é do que a repetição do que já disse: não esqueçam que o filme é a representação de um sonho, no sentido de que todas as coisas funcionam perfeitamente, talvez a representação de uma realidade futura, mas não a da realidade atual. Por uma hora e meia a gente até esquece que o preconceito existe.

Curiosidades:

  • O filme foi desenvolvido a partir do curta-metragem Eu não quero voltar sozinho (2010), dirigido por Daniel Ribeiro e estrelado pelos atores;
  • Em inglês o filme se chama The Way He Looks (algo como “o jeito dele de ser”), um título bem significativo já que Leonardo é cego e seu julgamento sobre Gabriel é baseado puramente no caráter dele e não na aparência.
Cartaz americano

Cartaz americano

Trailer: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-224664/trailer-19537372/

Fontes: wikipedia, adorocinema.

“Tudo por Justiça” (2013)

Enquanto o cinema brasileiro tem por excelência mostrar a realidade das favelas/periferias, especialidade adquirida a partir dos anos 1950, com o Cinema Novo, o norte-americano é mestre na fantasia: quanto mais longe da realidade, melhor. Assim, quando ambos resolvem trocar os papeis o resultado, muitas vezes, deixa a desejar.

 

A periferia dos EUA

tudo-por-justica

Tudo por Justiça (Out of the Furnace, 2013) é um daqueles filmes que mostram um lado dos EUA que muitos acreditam não existir: o lado pobre e periférico, onde as pessoas são conservadoras, não há muita perspectiva de vida, a violência é frequente e a justiça só existe se feita com as próprias mãos.

Russell (Christian Bale) tentando aconselhar o irmão, Rodney (Casey Affleck)

Russell (Christian Bale) tentando aconselhar o irmão, Rodney (Casey Affleck)

Nesse contexto, vive Russell Baze (Christian Bale), soldador em uma usina na cidade de North Braddock, na Pensilvânia. Ele tem um irmão mais novo, Rodney Baze Jr. (Casey Affleck, irmão mais novo de Ben Affleck), que vive se metendo em problemas. Poderia se dizer que ele é rebelde ou problemático ou “a ovelha negra da família” mas, na verdade, ele só quer encontrar uma forma de sair daquele mundo deprimente. Há uma cena na qual ele e o irmão discutem quando este descobre que aquele andou participando de brigas para ganhar dinheiro. Russell tenta convencê-lo a trabalhar na usina como ele e o pai (que acaba morrendo por consequência das condições insalubres de trabalho). O trabalho é pesado, paga mal e não dá chances de melhorar na carreira, mas é um trabalho “digno”. Rodney recusa, menosprezando, provavelmente sem querer, o irmão.

Rodney participando de uma das várias brigas nas quais se mete.

Rodney participando de uma das várias brigas nas quais se mete.

Se Rodney é o diferente, que não aceita aquilo que lhe é dado, querendo sempre algo melhor, o irmão, Russell, é o que aceita as coisas do jeito que elas são: elas podem não ser muito boas mas se é assim, fazer o quê? Porém, há um terceiro elemento nessa história: Harlan DeGroat (Woody Harrelson), bandidão extremamente perigoso e com tendências psicopatas que “tem problema com todo mundo”. Assim, podemos dividir os habitantes da cidade de North Braddock e, consequentemente, de bairros pobres retratados no cinema, de modo geral, em 3 grupos:

  • aqueles que aceitam as coisas do jeito que elas são. Pode ser ruim, mas o melhor a se fazer é seguir em frente da forma que for possível. Grupo representando por Russell Baze;
  • aqueles que querem sempre o melhor, que se revoltam com a realidade cruel a sua volta e tentam mudá-la ou sair dela. Grupo representado por Rodney Baze;
  • aqueles que aceitam as coisas do jeito que são mas querem o melhor, abusando das pessoas ao redor em seu próprio favor. Grupo representado por Harlan DeGroat.

Eventualmente, esses grupos/personagens entram em conflito acabando com suas próprias vidas. Mas antes de chegar nesse fim, eles passam por vários problemas que anunciam o que está por vir.

A história resumida

Russell e sua namorada, Lena (Zoe Saldana).

Russell e sua namorada, Lena (Zoe Saldana).

Russell Baze levava uma vida pacata com a namorada, Lena (Zoe Saldana), trabalhando na usina, indo visitar o pai doente e cuidando para que o irmão não se metesse em encrenca. Um dia, ele acidentalmente bate o carro em outro, matando uma mulher e seu filho. Vai preso e lá realiza o mesmo trabalho de soldador. Nesse meio tempo, a namorada o abandona, o pai morre e o irmão vai lutar no Iraque (o filme começa em 2008 e termina em 2013). Ele passou a vida inteira tentando fazer tudo certo e para quê? Para nada: foi parar na merda do mesmo jeito.

Rodney Baze queria uma vida diferente mas o quê, exatamente, provavelmente nem ele sabia. Só sabia que não queria continuar naquele lugar e nem trabalhar na usina como o pai e o irmão. Foi lutar no Iraque e voltou ainda mais revoltado. De que adiantou lutar pelo país e ver cenas terríveis de destruição e morte? Nada também.

30814

Harlan DeGroat (Woody Harrelson) ameaçando John Petty (Willem Dafoe).

Harlan DeGroat já aparece, logo de cara, humilhando e batendo em uma mulher. Quando um homem tenta defendê-la, apanha também. Essa cena inicial já mostra o caráter do personagem, ou seja, é o tipo de pessoa da qual é melhor passar longe. E é bem isso o que a polícia faz: nem ela ousa se meter com Harlan e sua turma.

Wesley (Forest Whitaker) indo dar más notícias a Russell.

Wesley (Forest Whitaker) indo dar más notícias a Russell.

E como se dá o encontro entre os 3? Por meio de Rodney, é claro. Na tentativa de conseguir dinheiro e pagar as suas dívidas, ele se oferece para lutar e perder num projeto de luta de boxe. Seu “agente” é John Petty (Willem Dafoe), um chefe do crime local. Ele arranja a luta com Harlan DeGroat, para quem está devendo dinheiro, numa tentativa de quitar as dívidas. Infelizmente não dá certo e tanto Petty quanto Rodney têm um fim trágico. A cena é intercalada com Russell e seu tio, Gerald (Sam Shepard), caçando veados. Como em A Rainha (The Queen, 2006) e em O Franco-Atirador (The Deer Hunter, 1978), aqui também o personagem resolve não sacrificar o bicho. Mas neste caso, esse ato de bondade não é suficiente para poupar o irmão.

Indo fazer justiça com as próprias mãos.

Indo fazer justiça com as próprias mãos.

Como a polícia, representada por Wesley (Forest Whitaker) não faz, não consegue ou não quer fazer nada, Russell vai sozinho atrás do irmão. Na verdade, não tão sozinho: com a ajuda do tio. Por ser ex-presidiário, ele não pode ser visto carregando armas e nem fora de seu município. Com isso, ele resolve atrair Harlan para North Braddock, onde será mais fácil matá-lo. Claro que todos tentam convencê-lo do contrário mas para quem foi passivo a vida toda e não deu em nada, aliás, só deu em merda, tomar uma atitude, mesmo que radical, não vai alterar muito a sua vida.

Que a justiça seja feita

Se o nome do filme é Tudo por Justiça, então, Russell conseguiu fazer justiça? Depende do que você considera como justiça. Se justiça for vingança, sim. Se justiça for mais que isso, não. De todos os personagens principais, ele é o que não merecia, de jeito nenhum, se dar mal. Ele nunca fez nada de errado e mesmo assim, teve que passar por tantos problemas, problemas envolvendo assassinatos, para piorar. Essa é a pior de todas as injustiças e o que ele pode fazer? Quem ele pode culpar por sua vida ter dado tão errado? Não há o que fazer, não há o que pensar, a não ser continuar do jeito que era antes: aceitando a vida como ela é. O fato dele a aceitar o fez ficar vivo, mas pode se dizer que ele tem uma vida, de fato? Não teria sido melhor se rebelar como o irmão Rodney ou como o bandido Harlan? No fim, todos terminaram mal, então, qual a diferença? Essa é a pergunta que o filme parece fazer e que fica sem resposata.

Vale a pena assistir ao filme?

Até vale, mas não no cinema. Não há nenhuma especificidade técnica que seja realçada pela tela do cinema, portanto, veja na televisão ou na internet. Fora isso, o filme é bonzinho mas não traz nada de novo. É raro mas não é a primeira vez que histórias de trabalhadores da periferia dos EUA é retratada no cinema, e quando isso acontece é quase sempre relacionado à criminalidade. Aliás, como falei no início, não é a especialidade do cinema americano. Nesse caso, se fosse um filme brasileiro teria sido muito melhor. Outro fator: as mulheres são meras coadjuvantes. As cenas de Zoe Saldana, a que aparece mais, não devem dar 15 minutos no total. É um filme muito…masculino, mas não exatamente machista (graças ao personagem de Christian Bale, Russell, o único não-estereotipado), o que diminui o público-alvo. Além disso, a trilha sonora, propositalmente dramática, bem como a fotografia nebulosa, forçam muito o drama do filme. Não precisava disso, ainda mais com atores tão bons.

Curiosidades:

  • Christian Bale gravou Tudo por Justiça antes de Trapaça (American Hustle, 2013), daí ele aparecer magro no filme;
  • Bale aprendeu a mexer numa caldeira e as cenas nas quais ele aparece na usina foram feitas por ele mesmo e não por um dublê;
  • O filme que está passando no drive-in no começo é O Último Trem (The Midnight Meat Trean, 2008).

Trailer legendado (veja aqui).

David Fincher e Christian Bale farão uma biografia de Steve Jobs?

Steve Jobs mal morreu e já fizeram um filme sobre ele: Jobs (2013), estrelado por Ashton Kutcher. Talvez devido à pressa ou devido à escolha do ator (Ashton Kutcher é melhor para fazer comédias), ou devido aos dois fatos, o filme foi um fracasso. Além disso, seguindo com a onda de fazer refilmagens, adaptações, biografias e o diabo-a-quatro (histórias originais estão cada vez mais raras em Hollywood), David Fincher, mais conhecido por ter dirigido Clube da Luta (Fight Club, 1999), foi o escolhido, pela Sony Pictures, para dirigir a cinebiografia do co-fundador da Apple. Porém, ele só vai aceitar o cargo se Christian Bale interpretar Jobs.

David-Fincher3

David Fincher

Agora, imaginem só se Bale aceita o papel, a transformação física pela a qual ele terá que passar. De novo. Ele engorda, emagrece, engorda, emagrece. Da última vez, em Trapaça (American Hustle, 2013), ele chegou a ter uma hérnia de disco. Pelo menos, as chances dele ganhar um Oscar pelo papel são bem grandes.

Christian Bale e Steve Jobs

Christian Bale e Steve Jobs

A única coisa certa até o momento é o roteiro de Aaron Sorkin, o mesmo que escreveu A Rede Social (The Social Network, 2009), que dividirá a história de Jobs em 3 momentos: a criação do Mac, da empresa NeXT e do iPod.

Torcemos para que ambos – David Fincher e Christian Bale – aceitem os cargos que lhes foram oferecidos. Sem dúvida será um ótimo filme.

Link para a notícia: http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-105858/

Trailer legendado de “Amante a Domicílio”, com Woody Allen

Woody Allen é um faz-tudo: atua, dirige, roteiriza, produz…Houve uma época em que ele realizava as 4 funções de uma vez em seus filmes, caso de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977), Zelig (1983) e Hannah e Suas Irmãs (Hannah and Her Sisters, 1986), para citar alguns.

No entanto, no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000 ele começou a somente roteirizar e dirigir. No máximo, fez algumas participações. Mas agora, eis que ele aparece em um filme no qual ele “só” é ator. Esse filme é Amante a Domicílio (Fading Gigolo, 2013), dirigido por John Turturro.

20663836

Vejam a história: Woody Allen interpreta um gigolô (isso mesmo: gigolô) que convence o amigo John Turturro a entrar para a profissão. Logo eles estão sendo requisitados por clientes do porte de Sharon Stone e Sofia Vergara.

Bom, o filme estreia no Brasil no dia 24 de abril. Confiram o trailer legendado aqui.

Duas adaptações de “Mogli – O Menino Lobo”

O livro de Rudyard Kipling, O Livro da Selva, uma série de contos, já teve VÁRIAS adaptações, mas a mais famosa, sem dúvida, é o desenho animado da Disney: Mogli – O Menino Lobo (The Jungle Book, 1967).

mogli1967

No momento, mais duas adaptações estão previstas. Isso mesmo: duas. Ambas uma mistura de atores reais com computação gráfica. A primeira será feita pela própria Disney e contará com Jon Fravreau na direção e Idris Elba como a voz do tigre Shere Khan. A segunda será feita pela Warner Bros. e dirigida por Andy Serkis, que interpretou Gollum na série O Senhor dos Aneis.

Andy Serkis estreará na direção com o projeto e substituirá Alejandro González Iñarritú, que desistiu por conflitos na agenda. Uma curiosidade é que a Warner pretende fazer uma versão bem realista, ou seja, os animais não irão falar. Interessante…

Bom, aguardemos para ver como vão ficar as duas versões e se elas estrearão em datas próximas ou não.

Link para a notícia: http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-105869/

Refilmagem de “O Grito”

No começo da década de 2000, Hollywood descobriu que refilmar filmes de sucesso japoneses, principalmente os de terror, seria uma boa forma de ganhar ainda mais dinheiro. Um dos escolhidos para ter uma versão americana foi O Grito (Ju-on, 2002), que  conta a história de um espírito infantil vingativo que persegue todos que entram na casa em que vive.

ju-on-the-grudge-movie-poster-2002

A versão americana (The Grudge), estrelada por Sarah Michelle Gellar, estreou dois anos depois e teve duas continuações. O filme fez sucesso mas não foi considerado tão bom quanto o original – é o mal de que sofrem as refilmagens.

4mAoTL6cZStDWYYbiYyo5BwbdAM

Agora, Sam Raimi, mais conhecido por ter dirigido a trilogia Homem-Aranha, com Tobey Maguire, será o produtor do novo filme O Grito. E, se tudo der certo, com certeza terá infinitas continuações. Bom lembrar que Sam Raimi tem um passado no terror: Uma Noite Alucinante – A Morte do Demônio (The Evil Dead, 1981) foi dirigido por ele, então, podemos aguardar algo BEM assustador.

Link para a notícia: http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-105865/

Indicados ao MTV Movie Awards

A lista de indicados ao MTV Movie Awards de 2014 surpreendeu: boa parte dos filmes indicados são os mesmos do Oscar e da temporada de premiações, fato raro. A premiação da MTV costuma indicar filmes que foram sucesso de público e não aqueles que os críticos dizem que é bom (porque, sim, ainda há essa distinção, embora isso esteja começando a mudar).

2014mtvmovieawards

O MTV Movie Awards irá ao ar no dia 13 de abril e será apresentado por Conan O’Brien, além de outros apresentadores como: Adrian Grenier, Cameron Diaz, Jerry Ferrara, Kate Upton, Kevin Connolly, Kevin Dillon e Leslie Mann. Também haverá uma homenagem a Mark Wahlberg.

A votação está aberta. Quem quiser votar, clique em um dos dois links abaixo:

http://www.mtv.com/ontv/movieawards/2014/movie-of-the-year/

http://www.adorocinema.com/materias-especiais/filmes/arquivo-100430/

FILME DO ANO

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Trapaça (American Hustle, 2013)
O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, 2013)
Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013)
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)

MELHOR ATRIZ

Amy Adams por Trapaça (American Hustle, 2013)
Jennifer Aniston por Família do Bagulho (We’re the Millers, 2013)
Sandra Bullock por Gravidade (Gravity, 2013)
Jennifer Lawrence por Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013)
Lupita Nyong’o por 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)

MELHOR ATOR

Bradley Cooper por Trapaça (American Hustle, 2013)
Leonardo DiCaprio por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
Chiwetel Ejiofor por 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Josh Hutcherson por Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013)
Matthew McConaughey por Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)

REVELAÇÃO

Liam James por O Verão da Minha Vida (The Way, Way Back, 2013)
Michael B. Jordan por Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station, 2013)
Will Poulter por Família do Bagulho (We’re the Millers, 2013)
Margot Robbie por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
Miles Teller por The Spectacular Now (2013)

MELHOR BEIJO

Jennifer Lawrence e Amy Adams por Trapaça (American Hustle, 2013)
Joseph Gordon-Levitt e Scarlett Johansson por Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon, 2013)
James Franco, Ashley Benson e Vanessa Hudgens por Spring Breakers: Garotas Perigosas (Spring Breakers, 2012)
Shailene Woodley e Miles Teller por The Spectacular Now (2013)
Emma Roberts, Jennifer Aniston e Will Poulter por Família do Bagulho (We’re the Millers, 2013)

MELHOR LUTA

Will Ferrell, Paul Rudd, David Koechner e Steve Carell vs. James Marsden vs. Sacha Baron Cohen vs. Kanye West vs. Tina Fey e Amy Poehler vs. Jim Carrey e Marion Cotillard vs. Will Smith vs. Liam Neeson e John C. Reilly vs. Greg Kinnear por Tudo por um Furo (Anchorman 2: The Legend Continues, 2013)
Jason Bateman vs. Melissa McCarthy por Uma Ladra Sem Limites (Identity Thief, 2013)
Orlando Bloom e Evangeline Lilly vs. Orcs por O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, 2013)
Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson e Sam Claflin vs. Mutant Monkeys por Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013)
Jonah Hill vs. James Franco e Seth Rogen por É o Fim (This is the End, 2013)

MELHOR PERFORMANCE EM COMÉDIA

Kevin Hart por Ride Along (2014)
Jonah Hill por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
Johnny Knoxville por Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (Jackass Presents: Bad Grandpa, 2013)
Melissa McCarthy por As Bem-Armadas (The Heat, 2013)
Jason Sudeikis por Família do Bagulho (We’re the Millers, 2013)

MELHOR ATUAÇÃO EM TERROR

Rose Byrne por Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2, 2013)
Jessica Chastain por Mama (2013)
Vera Farmiga por Invocação do Mal (The Conjuring, 2013)
Ethan Hawke por Uma Noite de Crime (The Purge, 2013)
Brad Pitt por Guerra Mundial Z (World War Z, 2013)

MELHOR DUPLA

Amy Adams e Christian Bale por Trapaça (American Hustle, 2013)
Matthew McConaughey e Jared Leto por Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)
Vin Diesel e Paul Walker por Velozes & Furiosos 6 (Furious 6, 2013)
Ice Cube e Kevin Hart por Ride Along (2014)
Jonah Hill e Leonardo DiCaprio por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)

MELHOR PERFORMANCE SEM CAMISA

Jennifer Aniston por Família do Bagulho (We’re the Millers, 2013)
Sam Claflin por Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013)
Leonardo DiCaprio por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
Zac Efron por Namoro ou Liberdade (That Awkward Moment, 2013)
Chris Hemsworth por Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World, 2013)

MOMENTO #WTF

A batida do trailer em Tudo por um Furo (Anchorman 2: The Legend Continues, 2013)
O concurso de beleza em Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (Jackass Presents: Bad Grandpa, 2013)
Sexo com o carro em O Conselheiro do Crime (The Counselor, 2013)
A cena do Lude em O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
O novo animal de estimação de Danny McBride em É o Fim (This is the End, 2013)

MELHOR VILÃO

Barkhad Abdi por Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013)
Benedict Cumberbatch por Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness, 2013)
Michael Fassbender por 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Mila Kunis por Oz: Mágico e Poderoso (Oz the Great and Powerful, 2013)
Donald Sutherland por Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013)

MELHOR TRANSFORMAÇÃO

Christian Bale por Trapaça (American Hustle, 2013)
Elizabeth Banks por Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013)
Orlando Bloom por O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Samug, 2013)
Jared Leto por Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)
Matthew McConaughey por Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)

MELHOR MOMENTO MUSICAL

Backstreet Boys, Jay Baruchel, Seth Rogen e Craig Robinson em É o Fim (This is the End, 2013)
Jennifer Lawrence cantando ‘Live & Let Die’ em Trapaça (American Hustle, 2013)
Leonardo DiCaprio dançando em O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
Melissa McCarthy cantando ‘Barracuda’ em Uma Ladra Sem Limites (Identity Thief, 2013)
Will Poulter cantando ‘Waterfalls’ em Família do Bagulho (We’re the Millers, 2013)

MELHOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

Robert De Niro em Trapaça (American Hustle, 2013)
Amy Poehler e Tina Fey em Tudo por um Furo (Anchorman 2: The Legend Continues, 2013)
Kanye West em Tudo por um Furo (Anchorman 2: The Legend Continues, 2013)
Joan Rivers em Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013)
Rihanna em É o Fim (This is the End, 2013)

MELHOR HERÓI

Henry Cavill como Clark Kent por O Homem de Aço (Man of Steel, 2013)
Robert Downey Jr. como Homem de Ferro por Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013)
Martin Freeman como Bilbo Baggins por O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, 2013)
Chris Hemsworth como Thor por Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World, 2013)
Channing Tatum como John Cale por O Ataque (White House Down, 2013)

“Walt nos Bastidores de Mary Poppins” (2013)

Quando vi o trailer de Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks, 2013) achei que o filme seria não exatamente uma porcaria mas…meia-boca. E, para piorar, Tom Hanks não estava muito convincente como Walt Disney. Mas eis que vou ver o filme e surpresa! É simplesmente emocionante, principalmente para aqueles que adoram Mary Poppins, seja a personagem do livro de P.L. Travers ou a do filme de 1964, interpretada por Julie Andrews.

Cartaz nacional mostrando a junção do Mickey Mouse com Mary Poppins.

Cartaz nacional mostrando a junção do Mickey Mouse com Mary Poppins.

A história

Walt Disney (Tom Hanks, perfeitamente convincente no papel, ao contrário da impressão causada pelo trailer) é e sempre foi mais famoso pelos desenhos animados que pelos filmes com atores reais. Esse foi um dos vários motivos que levaram a escritora australiana P.L. Travers (Emma Thompson, também perfeita. Uma pena não ter sido indicada ao Oscar), cujo verdadeiro nome era Helen Goff, a se recusar a vender os direitos para a Disney: ela temia que sua amada personagem se transformaria em um desenho como tanto outros. Foram 20 anos até que o todo-poderoso rei dos desenhos conseguisse convencê-la a ceder.

A princípio poderia-se imaginar que um escritor não iria relutar tanto para vender os direitos de seu livro: além de mais gente tomar conhecimento – afinal, o cinema tem um alcance muito maior que a literatura – é mais dinheiro entrando. Porém, Mary Poppins, para Travers, não era “só” uma personagem. A famosa babá, que chega voando com um guarda-chuva e tem uma mala com um fundo infinito, era a representação de si mesma, sua outra persona. E aí a história de como Walt Disney conseguiu convencer a dificílima escritora a ceder os direitos é intercalada com episódios da infância dela, que explicam o porquê de sua relutância.

Começando errado: ao tentar convencer Travers, Disney a trata como se eles fossem velhos amigos, o que ela odeia.

Começando errado: ao tentar convencer Travers, Disney a trata como se eles fossem velhos amigos, o que ela odeia.

Antes de se tornar a britânica P.L. Travers, ela era a australiana Helen Goff, filha de um gerente de banco alcoólatra, Travers Goff (pegaram de onde ela tirou o nome?) e de uma dona-de-casa. Ela era a mais velha de 3 irmãs. Seu pai, apesar dos problemas com a bebida que o faziam estar sempre perdendo o emprego, era um homem extremamente amoroso e preocupado com as filhas, além de ter uma fértil imaginação. Travers (Colin Farrell) tentava não deixar transparecer seus defeitos para as filhas mas, depois de um tempo, a situação se tornou insustentável e não tinha mais como esconder seus problemas de saúde, que a essas alturas já tinham evoluído para uma tuberculose.

P.L. Travers quando ainda era Helen Goff, e seu pai.

P.L. Travers quando ainda era Helen Goff, e seu pai.

Para a pequena Helen, ver o homem que tanto idolatrava, a ponto de querer ser ele, se deteriorando foi um choque enorme, tão grande que não conseguiu se livrar dele mesmo depois de adulta. Ainda mais que a mãe ficou completamente desestabilizada com toda a situação, chegando a tentar o suicídio. Como em muitas famílias nas quais os pais, por motivos variados, não têm como cuidar de seus filhos, sobra para o(a) mais velho(a) amadurecer antes do tempo e tomar conta tudo. Isso só não aconteceu totalmente porque tal como Mary Poppins chega voando em uma nuvem, um milagre veio do céu, ou de carruagem, como preferir: tia Ellie.

Tia Ellie chegando.

Tia Ellie chegando.

Tia Ellie, a mulher que veio para “consertar tudo”, é o protótipo de P.L. Travers e de Mary Poppins. Ela chega com um guarda-chuva e com uma mala da qual saem vários objetos. Ela é uma pessoa séria, a típica britânica da era vitoriana, mas tem um bom coração. Pode não sorrir nem demonstrar alegria, mas consegue transformar até a limpeza da casa em brincadeira. Tia Ellie realmente melhorou muito a situação dos Goffs, e tudo parecia caminhar bem até a morte do pai de Helen: essa foi a única coisa que ela não conseguiu “consertar”, causando a revolta da pequena Helen.

Mas como o próprio Walt Disney disse, a imaginação é uma forma de reorganizar a realidade, assim, Helen Goff primeiro se transforma na tia Ellie, assumindo sua personalidade e copiando até o jeito de falar, bem como o sotaque afetado e, depois, cria uma história que representa a sua vida. Há toques de mágica porque é assim que as crianças veem o mundo, ainda mais ela que foi fortemente influenciada pelo pai a usar a imaginação, mas há também um lado sombrio e assustador, que nada mais é que a pura realidade, dura e cruel que, muitas vezes, caracteriza o mundo dos adultos.

Tom Hanks como Walt Disney.

Tom Hanks como Walt Disney.

Toda a obra de Walt Disney, desde os cartoons até os parques temáticos, é voltada para as crianças e para a criança em cada adulto. Toda a obra de P.L. Travers é voltada para o adulto que teve sua inocência destruída pelo mundo quando criança. Daí o conflito entre os dois: um é feliz, apesar de tudo, a outra é amargurada. E todo o filme é uma tentativa de entendimento entre os dois. De maneira cômica, é claro. E não preciso nem dizer como termina essa história, visto que o filme Mary Poppins (1964) saiu e é hoje um clássico.

*Curiosidade: Mary Poppins recebeu 14, isso mesmo, 14 indicações ao Oscar e ganhou 5, dois pela trilha sonora (Travers não queria um musical) e um de feitos especiais (ela também não queria animação no filme).

Cartaz do filme Mary Poppins. Observem o vestido vermelho e as pernas dançantes de Mary Poppins, bem diferente do livro.

Cartaz do filme Mary Poppins. Observem o vestido vermelho e as pernas dançantes de Mary Poppins, bem diferente do livro.

O dinheiro

O dinheiro é quase um personagem do filme. Ele tem um papel importante em toda a história. O pai de Travers/Goff era gerente de banco. Sua função era convencer as pessoas a investirem mas, no fundo, ele odiava essa vida. Para um homem com uma imaginação tão fértil trabalhar em um banco era uma tortura tão grande que só podia ser amenizada com a bebida, que acaba por ser a responsável por sua queda, em todos os sentidos.

O Sr. Banks, tanto no livro quanto no filme Mary Poppins, é também um bancário que só se preocupa com o trabalho esquecendo da família, principalmente dos filhos pequenos. Na visão da escritora, influenciada por seu pai, o dinheiro torna as pessoas ruins, daí ela renegar uma vida de luxo. Porém, é justamente a falta de dinheiro, a ponto de estar prestes a perder a casa, que faz Travers considerar a possibilidade de ceder os direitos para a Disney e é com o dinheiro que Disney, muitas vezes, consegue o que quer e distribui felicidade.

Disney levando Travers para passear na Disneylândia.

Disney levando Travers para passear na Disneylândia.

Contudo, no entanto, entretanto, no fim, é o diálogo, a compreensão mútua que resolve tudo. Moral da história? O dinheiro é importante, mas não a coisa mais importante do mundo, como diria Scarlett O’Hara. A verdadeira importância está no entendimento entre as pessoas. Só isso salva. Daí o título do filme em inglês: Saving Mr. Banks (Salvando o Sr. Banks ou Salvando o Sr. Bancos), que é o pai das crianças em Mary Poppins, aquele responsável pela união entre todos.

As atuações

Como disse no começo, no trailer, Tom Hanks parecia não convencer como Walt Disney. A impressão que tive foi a de que, apesar da importância do papel, teria sido melhor escolher um ator desconhecido. Mas a impressão logo foi embora quando Tom Hanks apareceu na tela como Disney pela primeira vez. Foram necessários apenas alguns minutos para esquecer que era um ator interpretando e acreditar totalmente no personagem. O fato de Hanks não ter sido indicado ao Oscar nem por este filme nem por Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013) só é perdoável pelo fato de ano passado as atuações terem realmente sido excepcionais. A Academia poderia até ter aberto uma exceção e indicado 6 ou 7 atores, em vez de 5.

Semelhança: Walt Disney e Tom Hanks.

Semelhança: Walt Disney e Tom Hanks.

O mesmo vale para Emma Thompson, como P.L. Travers/Helen Goff. No final do filme, durante os créditos, é mostrada a gravação da voz da verdadeira escritora, enquanto discutia o roteiro com o roteirista e compositores do filme. Nesse momento vemos o quão bem Thompson incorporou a personalidade da autora, principalmente a voz. Chega a ser espantosa a perfeição da imitação. Além disso, interpretar uma personagem insuportável, como era Travers, e fazer dela, aos poucos, uma pessoa divertida e querida, também não é para qualquer um, mas Emma o faz com tanta facilidade que até parece fácil ser ator/atriz…

No entanto, o mérito não é só dela: é do roteiro também, de Kelly Marcel e Sue Smith. Os momentos sutis, que mostram a autora se divertindo ao ver Disney na televisão, e abraçando e conversando com o urso Mickey, por exemplo, bem como quando ela tenta puxar assunto com o barman e ele nem presta atenção, mostram que ela, por debaixo da armadura de britânica amargurada e enfezada, era uma mulher solitária e triste.

Outro mérito do roteiro foi mostrar Walt Disney como um homem que também se escondia por debaixo de uma armadura. Aquele homem super simpático que dizia sempre só querer fazer as pessoas felizes era, também, um exímio manipulador. Ele sempre conseguia o que queria pois fazia de tudo para atingir seus objetivos. Prova disso é quando ele promete que o filme não terá nem animação nem a cor vermelha, mas coloca as duas coisas. Fora o fato de não convidar a autora para a prémiere, por medo dela estragar o lançamento. Pois, é, ele tinha um lado cruel… O filme não mostra isso, até porque a imagem de Disney deve permanecer imaculada (ainda mais que o filme é da Disney), mas tem-se a impressão de que ele era quase um gângster. Mas também, qual chefão de estúdio de Hollywood não era? A diferença, acredito eu, é que o Disney realmente amava o que fazia, os personagens que criou, ao contrários dos outros chefões de Hollywood (eles faziam o que faziam por dinheiro somente), e o dinheiro era só uma consequência. Uma consequência muito bem-vinda.

Todos os outros atores também estão perfeitos, como o motorista (Paul Giamatti), o único americano do qual P.L. Travers gostou, o roteirista (Bradley Whitford) e os compositores (B.J. Novak e Jason Schwartzman), que fazem de tudo, até se passarem por palhaços praticamente, para conquistar a escritora, e a secretária (Melanie Paxson) que vive enchendo a mesa de comida, para desespero de Travers, que não gosta de ostentação.

O motorista indo buscar Travres com uma plaquinha na mão: "Walt Disney apresenta P.L. Travers".

O motorista indo buscar Travres com uma plaquinha na mão: “Walt Disney apresenta P.L. Travers”.

Vale a pena assistir?

Sim! Sim! Se você adora Mary Poppins, principalmente o filme (não posso falar do livro pois não o li), com certeza a resposta é SIM. Só de ouvir aquela trilha sonora maravilhosa novamente, em versão adaptada por Thomas Newman, já dá vontade de chorar de emoção, principalmente quando Travers vê seu pai representado na tela do cinema, na figura do Sr. Banks.

Além disso, a reconstituição de época é quase perfeita (há alguns detalhes que denunciam, mas tem que prestar muita atenção para perceber). Para ficar ainda melhor, podiam ter feito o filme em technicolor estilos anos 1960.

Curiosidades:

  • Walt Disney escondia seu hábito de fumar do público e também não gostava que ninguém no estúdio o visse fumando. Mas, sempre antes de entrar em alguma sala, ele pigarreava como formar de anunciar sua presença. Apesar de esconder que era fumante, morreu de câncer no pulmão em 1966;
  • Tom Hanks é primo distante de Walt Disney;
  • P.L. Travers não gostou da adaptação para o cinema de seu livro, nem nunca perdoou Walt Disney por fazer uma versão “vulgar e desrespeitosa” de seu livro, apesar de reconhecer que, “para um filme, até que era bom”, e nunca mais permitiu que outro de seus livros fosse adaptado;
Capa do livro.

Capa do livro.

  • A música “Let’s Go Fly a Kite” é mostrada como sendo a responsável por convencê-la de que o filme ficaria bom mas, na realidade, a música de que Travers mais gostou foi “Feed the Birds”, a mesma que Walt Disney também adorou;
Os compositores mostrando uma música para Travers.

Os compositores mostrando uma música para Travers.

  • Por incrível que pareça, Walt Disney nunca havia sido retratado no cinema até este filme;
  • P.L. Travers nunca gostou da escolha de Dick Van Dyke para o papel de Bert (para falar a verdade, ela não gostou de quase nada e era bem mais insuportável do que o filme mostra);
  • O logo da Disney que aparece no começo do filme era o utilizado em 1961, ano em que se passa a história;
  • Walt Disney nunca foi até Londres para convencer P.L. Travers a ceder os direitos, como mostrado no filme. Eles simplesmente conversaram por telefone. Mas a história sobre o pai dele é real;
  • O compositor de Mary Poppins, Richard Sherman, serviu de consultor para Walt nos Bastidores de Mary Poppins;
  • O filme começa e termina nas nuvens, igual a Mary Poppins.
Julie Andrews como Mary Poppins, no filme de 1964.

Julie Andrews como Mary Poppins, no filme de 1964.

Trailer legendado:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-204100/trailer-19536099/

Fontes: imdb, wikipedia

Mostra “Obscena: Sexo no Cinema”

Para todos aqueles que gostam de sexo, erotismo e pornografia no cinema, chegou a mostra dos sonhos: Obscena: Sexo no Cinema. Tem filmes para todos os gostos: antigos, recentes, coloridos, em preto-e-branco, eróticos, pornôs, clássicos, curtas-metragens, longas-metragens, nacionais, estrangeiros, hetero e homossexuais… Enfim, a lista é longa, mas só para ter uma ideia alguns dos filmes são: o clássico pornô Garganta Profunda, o premiado Azul é a Cor Mais Quente e o recente Ninfomaníaca. E para alegria geral, as sessões ainda são gratuitas. Confiram os filmes abaixo e, no final da postagem, mais detalhes sobre a mostra.

Último Tango em Paris (Ultimo tango a Parigi, 1972)

06/03 às 16h, no Cinusp

15/03 às 17h30, na Maria Antônia

25/03 às 16h, no Cinusp

628

Uma jovem noiva parisiense inicia um relacionamento baseado somente em sexo com um empresário de meia-idade, amargurado pela recente morte da esposa. Direção: Bernardo Bertolucci. Elenco: Marlon Brando e Maria Schneider.

*Curiosidade: o filme foi banido em vários países na época de lançamento, inclusive no Brasil, que passava pela censura da ditadura militar, e só foi liberado em 1979, com cortes.

Ken Park (2002)

06/03 às 19h, no Cinusp

12/03 às 16h, no Cinusp

15/03 às 20h, na Maria Antônia

11ken_park_

A vida de vários adolescentes californianos, baseada em sexo e drogas. Direção: Larry Clark e Edward Lachman. Elenco: Adam Chubbuck, James Bullard,  Seth Gray, Eddie Daniels e Zara McDowell.

*Curiosidade: o filme está banido na Austrália até hoje.

Baixio das Bestas (2006)

07/03 às 16h, no Cinusp

17/03 às 19h, no Cinusp

baixio 3

Um homem se apaixona por uma adolescente, explorada pelo próprio avô, que a exibe nua para caminhoneiros em troca de dinheiro. Direção: Cláudio Assis. Elenco: Fernando Teixeira, Caio Blat, Matheus Nachtergaele, Dira Paes e Mariah Teixeira.

Shortbus (2006)

07/03 às 19h, no Cinusp

16/03 às 20h, na Maria Antônia

24/03 às 16h, no Cinusp

1326095999_3

Uma terapeuta de casais que nunca conseguiu atingir o orgasmo é aconselhada, por um de seus pacientes, a ir num clube underground de Nova York, onde sexo e arte se misturam. Direção: John Cameron Mitchell. Elenco: Sook-Yin Lee, Peter Stickles, PJ DeBoy.

9 1/2 Semanas de Amor (Nine 1/2 Weeks, 1986)

07/03 às 20h, na Maria Antônia

11/03 às 16h, no Cinusp

19/03 às 16h, no Cinusp

l_91635_c89e3722

Uma assistente de galeria de arte conhece um homem com quem marca encontros para colocar em prática diversas práticas sexuais. O problema começa quando ela, aos poucos, vai se tornando dependente dele. Direção: Adrian Lyne. Elenco: Mickey Rourke e Kim Basinger.

*Curiosidade: este filme transformou Mickey Rourke em galã e foi um sucesso estrondoso, principalmente no Brasil, onde ficou em cartaz por dois anos e meio.

O Império dos Sentidos (Ai no korîda, 1976)

08/03 às 18h, na Maria Antônia

19/03 às 19h. *Sessão seguida de debates com Christian Petermann e Ronnie Cardoso.

27/03 às 16h, no Cinusp

01

Baseado em uma história real. No Japão pré-guerra, um homem e uma de suas servas começam um tórrido romance, que se transforma em obsessão sexual e vai, gradativamente, evoluindo para a tragédia. Direção: Nagisa Ôshima. Elenco: Tatsuya Fuji e Eiko Matsuda.

*Curiosidade: primeiro filme não-pornográfico a exibir cenas de sexo reais, ainda mais do tipo sadomasoquismo (porém, hoje, muitos o consideram pornográfico).

Crash – Estranhos Prazeres (Crash, 1996)

08/03 às 20h, na Maria Antônia

10/03 às 16h, no Cinusp

27/03 às 19h, no Cinusp

crash1

Baseado no livro de J.G. Ballard. Um casal descobre a excitação em acidentes de carros. Assim, eles passam a provocar situações cada vez mais perigosas para alcançar o prazer. Direção: David Cronenberg. Elenco: James Spader, Holly Hunter, Elias Koteas, Deborah Kara Unger e Rosanna Arquette.

*Curiosidade: venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes.

Instinto Selvagem (Basic Instinct, 1992)

09/03 às 18h, na Maria Antônia

14/03 às 16h, no Cinusp

18/03 às 19h, no Cinusp

basic-instinct-hd-680118

Ao investigar o brutal assassinato de um astro do rock, morto durante o ato sexual, detetive acaba se envolvendo com a principal suspeita, uma escritora de romances policiais. Direção: Paul Verhoeven. Elenco: Michael Douglas, Sharon Stone e Jeanne Tripplehorn.

9 Canções (9 Songs, 2004)

09/03 às 20h30, na Maria Antônia

11/03 às 19h, no Cinusp

28/03 às 16h, no Cinusp

9songs2004avi002215080

Cientista britânico relembra o curto e intenso romance que teve com uma estudante americana. A história dos dois é mostrada por meio de trechos que mostram 9 relações sexuais entre eles e 9 concertos de rock a que foram. Direção: Michael Winterbottom. Elenco: Kieran O’Brien e Margo Stilley.

*Curiosidade: filme improvisado com cenas de sexo reais.

Garganta Profunda (Deep Throat, 1972)

10/03 às 19h, no Cinusp

14/03 às 20h, na Maria Antônia

tumblr_m7os805Phl1qm954lo1_500

Clássico do cinema pornô. Uma mulher que não consegue ter orgasmos vai ao médico pedir ajuda. Ele descobre que o clitóris dela se encontra na garganta, assim, ela passa a praticar sexo oral para ter o prazer com que tanto sonhava. Direção: Gerard Damiano. Elenco: Linda Lovelace, Harry Reems e Dolly Sharp.

*Curiosidade: o filme foi um verdadeiro fenômeno. Ao contrário de outros pornôs, Garganta Profunda tinha uma história (besta, mas tinha) com toques de comédia, truques de montagem e até trilha sonora própria. Pela primeira vez, um filme pornô fora exibido em cinemas convencionais, atraindo pessoas de todos os tipos, desde adolescentes até donas de casa de meia-idade, arrecadando uma fortuna (600 milhões de dólares) e dando origem ao “pornô chic”, era das superproduções pornográficas em que os atores eram tão famosos e queridos quanto os astros e estrelas de Hollywood.

O Diabo na Carne de Miss Jones (Devil in Miss Jones, 1973)

10/03 às 19h, no Cinusp

14/03 às 20h, na Maria Antônia

devil-in-miss-jones

Cansada da vida, uma beata que nunca pecou comete suicídio e vai para o inferno. Sentindo-se injustiçada, pede para voltar à Terra para cometer todos os pecados carnais que nunca vivenciou. Direção: Gerard Damiano. Elenco: Georgina Spelvin, Harry Reems e John Clemens.

*Curiosidade: o filme foi um grande sucesso principalmente entre as mulheres, público-alvo até então ignorado pela indústria pornográfica.

Salò ou Os 120 Dias de Sodoma (Salò o le 120 giornate di Sodoma, 1975)

12/03 às 19h, no Cinusp

21/03 às 16h, no Cinusp

salo2

Baseado no livro do Marquês de Sade. Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, quatro oficiais do regime fascista sequestram 16 jovens (8 rapazes e 8 moças) e os submetem a 120 dias de tortura física, psicológica e sexual. Direção: Pier Paolo Pasolini. Elenco: Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto Paolo Quintavalle e Aldo Valletti.

*Curiosidade: o diretor, Pier Paolo Pasolini, foi assassinado pouco antes da estreia deste filme.

Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972)

13/03 às 16h, no Cinusp

25/03 às 19h, no Cinusp

d08143e8a3e02e595774e922c304e3bd

Jovem tímida é sequestrada e levada a um clube privé, onde é submetida a todo tipo de prática sexual. Direção: Artie e Jim Mitchell. Elenco: Marilyn Chambers, George S. McDonald e Johnnie Keyes.

*Curiosidade: considerado o mais artístico dos filmes pornôs, influenciou até mesmo Stanley Kubrick, que buscou inspiração neste filme para fazer De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999).

Ninfomaníaca – Vol. 1 (Nymphomaniac, 2013)

14/03 às 19h, no ctr-eca

Ninfomaniaca-25jul2013

Uma auto-diagnosticada ninfomaníaca reconta suas experiências sexuais ao homem que a resgatou após uma surra. Direção: Lars Von Trier. Elenco: Charlotte Gainsbourg,  Stellan Skarsgård, Stacy Martin e Shia LaBeouf.

*Curiosidade: o Vol. 2 vai estrear dia 13 de março.

Five Hot Stories For Her (2007)

18/03 às 16h, no Cinusp

24/03 às 19h, no Cinusp

Filme pornográfico que reúne 5 curtas história voltadas para o público feminino e casais. Direção: Erika Lust. Elenco: Sonia Baby, Claudia Clair e Nacho Corallini.

*Curiosidade: este filme faz parte do movimento “pornô feminista”.

Azul é a Cor Mais Quente (La vie d’Adèle, 2013)

20/03 às 16h, no Cinusp

28/03 às 19h, no Cinusp

adele-2

História de Adèle, uma jovem francesa, desde a adolescência até a vida adulta, e o amor de sua vida, uma artista de cabelos azuis. Direção: Abdellatif Kechiche. Elenco: Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos.

*Curiosidade: vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, que também foi para as duas atrizes principais, fato inédito. Foi um enorme sucesso e, atualmente, está com dificuldade para ser lançado no Brasil em Blu-Ray devido às cenas de sexo explícito (leia notícia aqui).

Jovem Aloucada (Joven y alocada, 2012)

20/03 às 19h, no Cinusp

26/03 às 16, no Cinusp

1533528

Criada em uma família extremamente religiosa, jovem encontra sua válvula de escape na internet, onde mantém um blog no qual narra suas aventuras sexuais e seus conflitos entre desejo e religião. Direção: Marialy Rivas. Elenco: Alicia Rodríguez, Aline Küppenheim, María Gracia Omegna e Felipe Pinto.

Um Estranho no Lago (L’inconnu du lac, 2013)

21/03 às 19h, no ctr-eca

l-inconnu-du-lac-alain-guiraudie-1600x1066

Um grupo de homens se encontra num lago deserto durante o verão, onde há uma floresta que eles aproveitam para realizar encontros homossexuais. O clima do local muda quando um deles é encontrado morto. Direção: Alain Guiraudie. Elenco: Pierre Deladonchamps, Christophe Paou e Patrick d’Assumçao.

*Curiosidade: o diretor queria filmar as cenas de sexo da maneira mais explícita possível e isso, para ele, significava o não-uso da camisinha. Como os dublês de corpo se recusaram a filmar as cenas de sexo sem camisinha, o diretor desistiu de gravá-las.

Sessão especial de curtas

13/03 às 19h, no Cinusp. *Sessão seguida de debates com Daniel Augusto, Juliana Dornelles e Gustavo Vinagre.

16/03 às 20h, na Maria Antônia

17/03 às 16h, no Cinusp

Exibição de vários curtas-metragens, tanto brasileiros quanto estrangeiros, que têm como tema o sexo.

Quando: de 06 a 28/03

Onde:

  • Cinusp: Rua do Anfiteatro, 181, Colméia, Favo 4 – Cidade Universitária (USP)
  • Maria Antônia: Rua Maria Antônia, 294 – Consolação
  • ctr-eca: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Cidade Universitária (USP)

Quanto: gratuito.

“12 Anos de Escravidão” é o melhor filme no Oscar 2014, enquanto “Gravidade” é o recordista, com 7 estatuetas

A tão aguardada cerimônia do Oscar ocorreu ontem, em Los Angeles, sem nenhuma surpresa: os vencedores foram os favoritos que já vinham ganhado em cerimônias anteriores.

Os vencedores.

Os vencedores.

A cerimônia em si foi sem graça e as homenagens aos heróis e a O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939) poderiam ter sido muito melhores. A impressão foi a de que os vídeos foram montados no computador por um amador. De repente foram mesmo…

Ellen DeGeneres apresentando o Oscar.

Ellen DeGeneres apresentando o Oscar.

A apresentadora Ellen Degeneres parecia estar meio perdida mas conseguiu alguns pontos ao tirar uma foto na plateia com vários astros, o selfie mais retuítado da história do twitter, até o momento, e ao levar pizzas: vários dos astros e estrelas se esbaldaram na comida, como Brad Pitt (foto abaixo) e Jennifer Lawrence, sempre esfomeada. Esta, aliás, caiu de novo logo ao chegar no teatro Dolby, fazendo com que Ellen fizesse o comentário: “Você caiu ano passado, caiu esse ano, se ganhar o Oscar, pode deixar que levamos até você”.

O selfie que quebrou todos os recordes no twitter.

O selfie que quebrou todos os recordes no twitter.

Brad Pitt se esbaldando na pizza

Brad Pitt se esbaldando na pizza.

A disputa este ano estava bem acirrada em quase todas as categorias, o que fez com que 2014 se tornasse um ano importante para a história do Oscar: raramente acontece de tantos filmes bons concorrerem entre si. A primeira vez que isso aconteceu foi em 1939, há 75 anos, quando os nove indicados (O Mágico de Oz; Vitória Amarga; Adeus, Mr. Chips; Duas Vidas; A Mulher Faz o Homem; Ninotchka; Carícia Fatal; No Tempo das Diligências; O Morro dos Ventos Uivantes e …E o Vento Levou) se tornaram clássicos ao longo do tempo. Os filmes de 2014 têm tudo para seguirem o mesmo caminho.

Em sentido horário: Vitória Amarga, Adeus, Mr. Chips, No Tempo das Diligências, Ninotchka, Carícia Fatal, A Mulher Faz o Homem, Duas Vidas, O Morro dos Ventos Uivantes e ...E o Vento Levou no centro.

Em sentido horário: Vitória Amarga, Adeus, Mr. Chips, No Tempo das Diligências, Ninotchka, Carícia Fatal, A Mulher Faz o Homem, Duas Vidas, O Morro dos Ventos Uivantes e …E o Vento Levou no centro.

Aliás, um fato interessante: o vencedor de melhor filme de 1939 foi …E o Vento Levou (Gone with the Wind, 1939), que fez um sucesso estrondoso na época e foi um verdadeiro acontecimento. Uma das cidades na qual houve a pré-estreia chegou a decretar feriado para que todos pudessem assistir. Ou seja, não tinha como o filme perder o Oscar, mesmo com as polêmicas na quais sua produção esteve envolvida: o povo na época não se importava muito com isso. Vários detalhes sobre racismo e a formação da Klu Klux Klan foram omitidos, apesar de estarem no livro homônimo de Margaret Mitchell, e os negros não só mal apareciam trabalhando nas plantações (uma maneira de apagar esse passado vergonhoso) como eram todos retratados como submissos, eficientes e felizes por serem escravos. Alguns eram retardados ou violentos. Ou seja, nenhuma representação foi exatamente positiva e, apesar de …E o Vento Levou ser um marco do cinema, por suas excelentes atuações, pelas inovações técnicas e até pela adaptação, com o passar dos anos, o avanço do movimento negro nos EUA passou a condenar o filme e muitos críticos passaram a defender a ideia de que O Mágico de Oz deveria ter levado o prêmio, até por causa de sua crítica social, que não foi percebida a princípio.

O Mágico de Oz

O Mágico de Oz.

A própria academia parece ter meio que se arrependido de dar o Oscar de melhor filme para …E o Vento Levou já que decidiu homenagear O Mágico de Oz. É como se estivessem fazendo justiça após tantos anos. Outra maneira de fazer justiça foi premiar 12 Anos de Escravidão como melhor filme, um filme que é o exato oposto de …E o Vento Levou. Enquanto este mostra só a vida boa, e o sofrimento com a Guerra da Secessão, das ricas famílias do sul do EUA, donas de plantações e de escravos, aquele mostra tudo do ponto de vista dos escravos, tanto que as festas, os vestidos, a “beleza de um tempo que se perdeu” só são mostrados de relance, quando Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) está tocando violino.

Enfim, muita coisa mudou nesses 75 anos, até presidente negro os EUA, um dos países mais racistas do mundo, tem. Tirar o prêmio de quem já ganhou não pode, mas fazer homenagens e não cometer os mesmos erros de antes, sim, daí a homenagem a O Mágico de Oz e a vitória de 12 Anos de Escravidão, não só uma vitória cinematográfica, pois o filme é muito bem feito, mas uma vitória política.

Steve McQueen, o diretor de 12 Anos de Escravidão, pulando de alegria ao receber o Oscar de melhor filme.

Steve McQueen, o diretor de 12 Anos de Escravidão, pulando de alegria ao receber o Oscar de melhor filme.

Contudo, ver Pink cantando a clássica música Over the Rainbow não foi agradável. Ela é uma boa cantora mas a versão de Judy Garland é insuperável e é quase um insulto que alguém tente cantar a música dela. Liza Minnelli, filha de Judy, parece ter pensado a mesma já que, mesmo com todo mundo aplaudindo Pink de pé, Liza não quis se levantar.

Pink cantando Over the Rainbow.

Pink cantando Over the Rainbow.

As outras homenagens, aos heróis da vida real que tiveram suas vidas retratadas no cinema, e a dos heróis fictícios, como os dos gibis e dos desenhos, foram curtas. A última homenagem, aos falecidos, também poderia ter mostrado mais daqueles que morreram mas chamou a atenção por incluir o cineasta brasileiro Eduardo Coutinho. A música cantada por Bette Midler, Wind Beneath My Wings foi brega, cafona, e teria sido melhor passar sem ela.

Eudardo Coutinho lembrando pela Academia.

Eudardo Coutinho lembrando pela Academia.

O primeiro prêmio foi para Jared Leto, melhor ator coadjuvante por Clube de Compras Dallas, no qual interpreta um transsexual. Em seu discurso, agradeceu à mãe, falou dos que sofreram e sofrem com a AIDS e ainda citou os conflitos na Venezuela e na Ucrânia.

Jared Leto agradecendo o prêmio.

Jared Leto agradecendo o prêmio.

Lupita Nyong’o foi a melhor atriz coadjuvante, por 12 Anos de Escravidão. Aplaudida de pé (aliás, quase todo mundo foi aplaudido de pé) e abraçada por quase todo mundo que estava por perto, ela se controlou para não chorar e falou sobre sonhos se tornarem realidade.

Lupita Nyong'o e o Oscar: vitória.

Lupita Nyong’o e o Oscar: vitória.

Era tão certo que Cate Blanchett iria ganhar de melhor atriz, por Blue Jasmine, que ela já estava chorando antes mesmo de falarem o nome dela. No discurso de agradecimento, citou todas as outras indicadas, agradeceu a Woody Allen, sem tocar na polêmica na qual ele está envolvido e falou de como um filme protagonizado por uma mulher pode, sim, fazer sucesso nas bilheterias. Talvez não pareça mas Hollywood é um lugar extremamente machista e realmente há a crença de que mulheres não conseguem, sozinhas, fazer um filme que seja um grande sucesso.

Cate Blanchett não sabe se ri ou se chora de emoção.

Cate Blanchett não sabe se ri ou se chora de emoção.

Matthew McConaughey foi o melhor ator, por Clube de Compras Dallas. Alguns acreditavam que Leonardo DiCaprio pudesse ganhar por O Lobo de Wall Street, afinal, já é hora dele receber um Oscar, mas não. McConaughey agradeceu à esposa, a modelo brasileira Camila Alves, à mãe, à Deus e ficou um bom tempo dando um discurso motivacional.

Matthew McConaughey quase deu uma palestra motivacional durante o discurso.

Matthew McConaughey quase deu uma palestra motivacional durante o discurso.

Alfonso Curón foi o melhor diretor por Gravidade. Ele se tornou o primeiro diretor latino-americano a ganhar um Oscar. Em seu discurso agradeceu à Sandra Bullock, “a alma do filme”. Gravidade, aliás, foi o recordista de prêmios, sete no total, quase todos técnicos. Ele e 12 Anos…, que ganhou 3 – filme, atriz coadjuvante (Lupita Nyong’o) e roteiro adaptado – repetiram o acontecimento de 1973, quando O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) levou 3 Oscars – filme, ator (Marlon Brando) e roteiro adaptado – e Cabaret (1972) levou 8, quase todos técnicos.

Alfonso Cuarón e o Oscar.

Alfonso Cuarón e o Oscar.

Trapaça, que era o recordista de indicações, não levou nada. Assim, entra para a lista de filmes como A Cor Púrpura (The Color Purple, 1985) e Momento de Decisão (The Turning Point, 1977), cada um com 11 indicações mas que também não levaram nada.

Pharrell Williams cantando a música de Meu Malvado Favorito 2, Happy.

Pharrell Williams cantando a música de Meu Malvado Favorito 2, Happy.

Outros momentos que merecem atenção foram a performance de Pharrell Williams, ao cantar a música Happy, de Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2, 2013), indicada, que fez com que Lupita Nyong’o e Amy Adams levantassem para dançar e Meryl Streep remexesse sentada mesmo; e Darlene Love, que agradeceu cantando (não sei como ninguém fez isso antes) pela vitória do documentário À Um Passo do Estrelato.

Darlene Love agradecendo cantando.

Darlene Love agradecendo cantando.

Eis a lista com os vencedores (em negrito):

MELHOR FILME:

Steve McQueen, o diretor, e Brad Pitt, o produtor. É o primeiro Oscar de Pitt. Ironia do destino, já que ele é mais famoso como ator que como produtor.

Steve McQueen, o diretor, e Brad Pitt, o produtor. É o primeiro Oscar de Pitt. Ironia do destino, já que ele é mais famoso como ator que como produtor.

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Gravidade (Gravity, 2013)
Trapaça (American Hustle, 2013)
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)
Ela (Her, 2013)
Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013)
Nebraska (2013)
Philomena (2013)

MELHOR DIRETOR:

Steve McQueen por 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
David O. Russell por Trapaça (American Hustle, 2013)
Martin Scorsese por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
Alfonso Cuarón por Gravidade (Gravity, 2013)
Alexander Payne por Nebraska (2013)

MELHOR ATOR:

Chiwetel Ejiofor por 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Matthew McConaughey por Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)
Bruce Dern por Nebraska (2013)
Christian Bale por Trapaça (American Hustle, 2013)
Leonardo DiCaprio por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)

MELHOR ATRIZ:

Amy Adams por Trapaça (American Hustle, 2013)
Sandra Bullock por Gravidade (Gravity, 2013)
Cate Blanchett por Blue Jasmine (2013)
Judi Dench por Philomena (2013)
Meryl Streep por Álbum de Família (August: Osage County, 2013)

MELHOR ATOR COADJUVANTE:

Michael Fassbender por 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Bradley Cooper por Trapaça (American Hustle, 2013)
Barkhad Abdi por Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013)
Jared Leto por Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)
Jonah Hill por O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:

Todos aplaudem Lupita.

Todos aplaudem Lupita.

Lupita Nyong’o por 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Jennifer Lawrence por Trapaça (American Hustle, 2013)
Julia Roberts por Álbum de Família (August: Osage County)
June Squibb por Nebraska (2013)
Sally Hawkins por Blue Jasmine (2013)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO:

Os Croods (The Croods, 2013)
Ernest e Célestine (Ernest et Célestine, 2012)
Frozen – Uma Aventura Congelante (Frozen, 2013)
Vidas ao Vento (Kaze tachinu, 2013)
Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2, 2013)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO:

Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown, 2012, Bélgica)
A Grande Beleza (La grande bellezza, 2013, Itália)
A Caça (Jagten, 2012, Dinamarca)
Omar (2013, Palestina)
A Imagem que Falta (L’image manquante, 2013, Camboja)

MELHOR DOCUMENTÁRIO:

A um Passo do Estrelato (20 Feet from Satrdom, 2013)
O Ato de Matar (The Act of Killing, 2012)
A Praça Tahrir (The Square, 2013)
Cutie and the Boxer (2013)
Guerras Sujas (Dirty Wars, 2013)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:

Spike Jonze recebe o Oscar de melhor roteiro original por Ela, filme que também dirigiu.

Spike Jonze recebe o Oscar de melhor roteiro original por Ela, filme que também dirigiu.

Blue Jasmine (2013)
Ela (Her, 2013)
Nebraska (2013)
Trapaça (American Hustle, 2013)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:

John Ridley, o roteirista de 12 Anos de Escravidão.

John Ridley, o roteirista de 12 Anos de Escravidão.

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Antes da Meia-noite (Before Midnight, 2013)
Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013)
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)
Philomena (2013)

MELHOR FOTOGRAFIA:

O Grande Mestre (Yi dai zong shi, 2013)
Gravidade (Gravity, 2013)
Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, 2013)
Nebraska (2013)
Os Suspeitos (Prisoners, 2013)

MELHOR TRILHA SONORA:

Philomena (2013)
Ela (Her, 2013)
A Menina que Roubava Livros (The Book Thief, 2013)
Gravidade (Gravity, 2013)
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks, 2013)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL:

“Let It Go”  de Frozen – Uma Aventura Congelante (Frozen, 2013)
“The Moon Song”  de Ela (Her, 2013)
“Ordinary Love” de Mandela (Mandela: Long Walk to Freedom, 2013)
“Alone Yet Not Alone” de Alone Yet Not Alone (2013)
“Happy” de Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2, 2013)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE:

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Gravidade (Gravity, 2013)
O Grande Gatsby (The Great Gatsby, 2013)
Trapaça (American Hustle, 2013)
Ela (Her, 2013)

MELHOR MAQUIAGEM:

O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, 2013)
Vovô Sem Vergonha (Jackass Presents: Bad Grandpa, 2013)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)

MELHOR FIGURINO:

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Trapaça (American Hustle, 2013)
O Grande Gatsby (The Great Gatsby, 2013)
The Invisible Woman (2013)
O Grande Mestre (Yi dai zong shi, 2013)

MELHOR EDIÇÃO:

Alfonso Cuarón também é o editor do filme.

Alfonso Cuarón também é o editor do filme.

Trapaça (American Hustle, 2013)
Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013)
Gravidade (Gravity, 2013)
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS:

Gravidade (Gravity, 2013)
O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, 2013)
Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013)
O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, 2013)
Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness, 2013)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM:

Até o Fim (All is Lost, 2013)
Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013)
Gravidade (Gravity, 2013)
O Grande Herói (Lone Survivor, 2013)
O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, 2013)

MELHOR MIXAGEM DE SOM:

O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, 2013)
Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013)
Gravidade (Gravity, 2013)
Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, 2013)
O Grande Herói (Lone Survivor, 2013)

MELHOR CURTA-METRAGEM:

Aquel no era yo (2012)
Helium (2013)
Pitääkö mun kaikki hhoitaa? (2012)
The Voorman Problem (2012)
Avant que de tout perdre (2013)

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO:

Get a Horse! (2013)
Feral (2012)
Mr. Hublot (2013)
Tsukumo (2012)
Room on the Broom (2012)

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM:

Facing Fear (2013)
Karama Has No Walls (2012)
The Lady in Number 6 (2012)
Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall (2013)
Cavedigger (2013)